quinta-feira, agosto 09, 2007

Epílogo em Mi maior, a Dominante

Porque é que não nos ouvimos melhor? Porque é que tantas pessoas substituem a comunicação pela posse? Porque é que há quem passe anos na obsessão de definir o que é o outro, em vez de tentar sentir quem é o outro? Porque é que o desamor pode doer como uma morte? Porque é tanta gente incapaz de viver num mundo cheio de porquês?

11 comentários:

JL disse...

Já que se abriu uma secção no blog de perguntas à Manel... porque é que eu não estou nos Açores neste exacto momento?
:)

polegar disse...

se eu soubesse responder, seria Deusa...

mas tentando... aposto e 3 sílabas: um-bi-go.

agora vou bater palminhas a ver se me transformo em fada sininho ou se cai um raio ali na secretária da frente ;)

polegar disse...

*em 3 sílabas
maldito lapsus digitus teclus

Manel disse...

É, polegarzinha, acho que tens alguma razão. Três míseras sílabas onde cabe um mundo que parece enorme, mas que é tão tão tão pequenino...

JL: também eu me faço essa pergunta, regularmente, e neste momento nem imaginas quanto. Gostava de estar no Almoxarife, a ver a lua sobre o Pico...

Anonyma disse...

Às vezes, as palavras não bastam, às vezes, é preciso fechar os olhos e apenas sentir...e confiar...
O que sou é quase imutável, quem sou é como o rio que corre ligeiro...conhecer o outro, dá trabalho, obriga ao empenho de alma e coração, obriga a não baixar a guarda, a procurar, a descobrir, a dar e dar e dar...e essa é certamente uma lição que o "desamado" conhece...
Porquê?
Eu respondo-te, porquê.
Porque este macaco nu quer ter todas as certezas...pobre tonto, desconhece que tudo é incerto...

Manel disse...

Puseste os meus pensamentos em palavras.

katraponga disse...

Talvez passemos demasiado tempo de costas voltadas. Uns para os outros. Até na cama. Talvez seja mais fácil o olhar perdido nas sombras de um quarto silencioso do que a palavra, ou a mao, ou o beijo que procura quem está mesmo ali, ao pé de nós. É assim, passamos a vida de costas voltadas.

João Barbosa disse...

Acho que há muita gente a fazer a mesma pergunta e há muitos anos. A resposta parece difícil, porque poucos encontram a resposta.

Manel disse...

Eu acho que cada um tem reflexos muito fortes da resposta. Uns tentam aproveitar a luz, para ver melhor, outros cerram os olhos, com medo do que podem ver.

Raquel Alão disse...

1. Não conseguimos ouvir os outros porque estamos aos gritos a emitir uns guinchos que consideramos importantes. Parece haver quem lhe chame comunicação, mas eu gostava de me dar uma paulada por todas as vezes que fiz e faço o mesmo. O silêncio é uma virtude muito mal amada;

2. Porque dá metade do trabalho. Comunicar exige disponibilidade para ouvir e é muito mais fácil aproveitar a pouca informação que compreendemos do outro para fazer dele "coisa" nossa;

3. Porque isso desloca o problema para o exterior de nós próprios. Não sou eu que não consigo lidar com as minhas idiossincrasias, é o outro que não se deixa engavetar nas minhas categorias, tão bem pensadinhas e definidas e arrumadinhas. E quando não nos sabemos sentir a nós próprios, como podemos sentir os outros?;

4. Não sei. Já me matei e já fui morta vezes sem conta a tentar resolver essa...;

5. Porque não se questionam...


E, "the million dollar question" é: Porque não consigo eu, mesmo esforçando-me e por vezes até conseguindo entrar na neblina e quase perder-me nela, sentir como todos eles? A minha sorte, e a de outras "ilhas" por aí perdidas, é conseguirmos formar alguns arquipélagos. Por vezes já não me sinto tão perdida no meio do oceano...

;-)

Manel disse...

:)