quarta-feira, outubro 24, 2007

tudo pela arte, mas arte assim, com minúscula

Según supe el perro murió al día siguiente por falta de comida. Durante la inauguración supe que el perro fue perseguido por la tarde entre las casas de aluminio y cartón de un barrio de Managua con nombre de santo que Habacuc no pudo precisar en el momento. 5 niños de los que ayudaron en la captura recibieron bonos de 10 córdobas por su colaboración. Durante la exhibición algunas personas pidieron la libertad del perrito, a lo que él artista se rehuso. El nombre del perro era (fue) Natividad, y se le dejo morir de hambre a la vista de todos, como si la muerte de un pobre perro fuera un show mediático desvergonzado en el que nadie hace nada más que aplaudir o mirar desconcertado.

Imagens desta obra [do verbo "obrar"]-prima AQUI;
petição contra a presença da "obra" [do verbo "obrar"] na Bienal Centroamericana Honduras 2008, AQUI.

Não tenho grandes comentários a fazer a isto, sinceramente. Há coisas que só os olhos podem expressar, que as palavras reduzem. O meu lado abstracto e simbólico percebe o conceito, compreende-o, valida-o. No plano teórico. Também para isso servem as palavras e o pensamento, para podermos "ver" sem necessitar de concretizar. Mas em verdade vos digo, como dizia o outro, que a concreta instalação que eu gostava mesmo de ver agora consistiria num pseudo-artista plástico amarrado pelo pescoço, sem esteira nem pão nem água, desejando ser analfabeto como um cão para não conseguir ler na parede as letras cínicas desenhadas com favas: eres lo que lees.

O cão desta exposição não sabia ler. Foi o que o fodeu. Sem ler, cessou de ser. Imagino que para a reedição da obra - do verbo "obrar" - se abra casting para mais cães analfabetos.

10 comentários:

pikinina disse...

o conxeito dele poderia ter xido ilustrado doutra maneira...axim o k ele conxeguiu ilustrar foi a maldade pura elevada a... Arte?!

Eu teria partido o foxinho ao animal (ou seja ao artista) e libertado o caxorrito...

ando um bocadinho em baixo ver ixto inda me deprimiu mais c****

jokax manel


pikinina

LuisElMau disse...

por vezes pergunto-me se estas coisas que viajam na net são verdadeiras, pelos vistos recebemos o mesmo mail. optei por não o divulgar, na verdade a ser verdade o pior mal já aconteceu e agora? vamos fazer o quê? divulgar isto? falar sobre isto? parece-me que espancar o focinho ao artista não nos levaria a lado nenhum, nem tanho maneira de o fazer. guardo o nome do dito na memória e quem sabe um dia...

LuisElMau disse...

desculpa os erros ortográficos, fiquei irritado com isto e dou imensos, infelizmente.

polegar disse...

desculpa, não. artista não. um artista tem uma sensibilidade acima da média. tem um objectivo, tem um conceito válido, tem uma merda de uma mensagem. mas tem sempre a sua sensibilidade.

que gravasse um filme em que falasse disso, no máximo. e mesmo assim não vejo o conceito, não vejo. nem teoricamente. um animal deitado à fome perante uma parede de comida. és o que lês. só para mostrar?! só para de uma forma retorcida apresentar um dito trabalho artístico. que de arte não tem nada. és o que lês. és um bicho que fica a ver.

és o que lês? e isso significa o quê, especificamente, a esses pedantes de caca? se eu ali estivesse soltava o bicho, levava-lhe comida, partia a loiça.
era isto que eu leria daquela monstruosidade. e leria isso na cara de todos os que ali passaram a olhar sem fazer nada.

essa coisa que fez essa exposição devia ser morto da mesma maneira. ele e todos os que permitiram isto. só me apetece dizer palavrões.

recuso-me sequer a acreditar que este gesto tenha partido de animais, quanto mais de humanos.

não fazes ideia do que isto me abalou. tive de parar antes de comentar porque desatei a chorar à vista das fotos.

junto-me ao luiselmau. um dia que o apanhe...

Manel disse...

E já somos três para lhe fazer a espera... Eu achava que havia mínimos estabelecidos quanto aos direitos dos animais, mas pelos vistos é só quando calha.

Caríssimos, se por acaso esta merda um dia chegar a Lisboa, temos encontro marcado, certo? Para uma intervenção artística, perfeitamente justificável hermenêuticamente: soltar o cão e amarrar o animal. Boa?

aroma a amora disse...

Podes contar comigo também! Esta merda mete nojo. Arte não é isto mas como já não sabem o que fazer inventam estas coisas para chocar. Parvas das pessoas que por lá passaram e nada fizeram!Não devia ser chique soltar o cão na vernissage...

MPR disse...

E castrar o artista, espetar-lhe com o dito pela garganta abaixo enquanto se escreve na parede "és aquilo que comes"? Puta que o pariu...

Manel disse...

E é engraçado, isto... diz o artista em questão que o objectivo era deixar a nu a hipocrisia das pessoas, do público, que se chocou mas nada fez para libertar o animal. Justo. E a hipocrisia dele, auto-fabricado dEus que aguarda do cimo do seu trono as reacções dos meros mortais?


A megalomania é uma coisa muito patética, deveras.

aroma a amora disse...

tiro o chapéu ao comentário do MPR e a todos os outros... acrescento que a megalomania é uma coisa perigosa e que a impotência (neste caso) é patética, deveras!

Dário Nemésio disse...

Num plano teórico/simbólico..., mas concretizar, tornal real esta "instalação" (?) dá vómitos.
Encontro marcado, claro.