sábado, outubro 27, 2007

tradutore, traditore... mas também não é preciso exagerar

ou
um post venenoso


Sobre Richard Dawkins já aqui escrevi. E sobretudo na caixa de comentários, graças ao pequeno simpósio que me proporcionou o MPR. Serve este post apenas para desabafar as minhas mágoas de tradutora intermitente e mal-paga: A Desilusão de Deus, senhores? Mas um tradutor de inglês não devia saber que a palavra "delusion" está muito mais próxima de alucinação, donde, ilusão? É obra, começar logo por traduzir o título com a imagem directamente oposta à escolhida pelo autor. Uma coisa agradeço ao tradutor, seja quem for: nem preciso de pensar duas vezes para me decidir a comprar a versão original e ler o que Dawkins realmente escreveu.


Isto lembrou-me um delicioso mito urbano-literário que me contaram há uns anos: diz-se que Milan Kundera ficou em estado de choque ao conhecer o tradutor das suas obras para francês. Verdadeiro médium dos afectos, o dito confessou ao autor que não percebia lá muito de checo, por isso traduzia com o coração. A ele devem os franceses terem ganho um belo autor francófono, já que aí terá Kundera decidido passar a escrever em francês. Olha a sorte do António Damásio, hã?

4 comentários:

João Miguel Pais disse...

..."Outro país. Encontro o meu tradutor: não conhece nem uma única palavra de checo. 'Como é que traduziu?' Ele responde-me: 'Com o meu coração', e mostra-me a minha fotografia que tira da carteira. Era tão simpático que eu quase acreditei que se podia realmente traduzir graças a uma telepatia do coração."...

Kundera, A arte do romance, p.141

Realmente, sabendo a língua original nunca vale a pena ler uma tradução, seja um livro, filme ou o que for.

Manel disse...

Boa, não é um mito urbano, mas uma lenda devidamente registada, eheheh...

MPR disse...

Mas pagam a esta malta?... safa...

João Miguel Pais disse...

Boa ideia. Cheques e vales postais para o Apartado 1234, por favor.