terça-feira, dezembro 30, 2008

bureau...

Quatro escrituras quatro e pais chatos fiadores e assina e assina e assina, e a notária lê e nós ouvimos, sssshhhhiiii, tanto dinheiro, até me dá vontade de rir, só papel, papel, papel, guarde o papel, entregue no banco, dê cá os cheques azul bébé que nunca serão descontados, é só pa brincar dentro das regras, tá bem?, mais números e números e a minha cabeça em todo o lado e os números bem que se agitam à minha frente mas eu nem os vejo.


A verdade é que me estou nas tintas.


Só sei que vou poupar em prestações da casa o mesmo que o meu outro banco, o de sempre, me pedia de mensalidade para um super-crédito pessoal, dê vida aos seus projectos mesmo que esteja a viver a crédito há três meses. E que a minha gestora de conta sabe com quem está a falar quando fala comigo.

Mas também sei que para o seguro de vida me fizeram um check-up completo e que me ligaram do banco a dizer que estava muito bem de saúde. Que ainda nem vi os resultados dos exames nem sei se vou ver. Que assinei uma autorização para um teste de HIV. Quando o Orwell se concretizar, o meu dinheiro há-de estar na Oceania. O que sobrar da identidade talvez fique pela Eurásia.

3 comentários:

K. disse...

Só falta olharem para nós com uma lupa gigante mal entramos no banco, hoje em dia. Só sei que no banco de onde me massacravam para comprar uma casa há uns anos atrás, pareciam suspirar de alívio quando estive no Porto estes dias... ainda bem que este resolveu nao comprar casa, ainda por cima pirou-se para o estrangeiro... ratos. :P

Anonyma disse...

Essa agora...e eu que estou capaz de jurar que tenho visto o Sr. Orwell por aqui passeando pacatamente...

Manel disse...

Sim, pois, claro que sim. Eu falava de uma concretização formal, tipo no papel, estás a ver?... ;)


[é melhor falar por meias palavras, nunca se sabe...]