terça-feira, setembro 11, 2007

Deixai vir a mim as criancinhas

Algumas das coisas que me fazem ter um carinho especial pelos exemplares adultos da espécie humana:

  • pais que usam os filhos para chantagem emocional sobre o outro progenitor ou sobre outros espécimens adultos sob vigia;
  • pais de mão pesada e olhos vesgos;
  • padres de orfanatos que dão estaladas a putos de seis anos em directo na rádio;
  • pais que num estreito passeio da Graça vão bem preservados sobre a calçada, com o filho pela mão, o puto já no asfalto, bem encostadinho aos automóveis [ali, para verem como elas mordem e cheiram, que isto é um povo que se quer rijo e macho e rijo também];
  • filhos que conhecem bem o colo da empregada e que dificilmente reconhecem o rosto da mãe ou do pai sem carradas de maquilhagem, photoshop e o título de uma revista por cima;
  • mães que usam o carrinho com o bebé lá dentro como pára-choques para entrar à fuçanga na fila da caixa do supermercado;
  • pais que põem os filhos a render desde que nascem, se os inocentes tiverem o azar de apresentar uma carinha laroca e um feitio espevitado [a última condição é facultativa];
  • pais que fazem filhos em catadupa para, como se tornou código nos novos tempos, mostrarem que são tão abastados que até conseguem alimentar tantas bocas e comprar tanta roupinha de marca;
  • pais/arguidos que submetidos a um termo de identidade e residência têm a liberdade de se pirarem do país onde estão a ser investigados.

6 comentários:

Anonyma disse...

Nunca leste o direito processual dos pais sobre os filhos?
Pois, e' isso, sim.
TEU, TUA, MINHA, MEU...
POSSE, como bons obtusos que somos.

(Tenho algumas reservas quanto ao "caso do dia" - a nossa actualidade jornalistica, agora resume-se sempre ao mesmo. Mas culpados ou inocentes, os dois mais pequenos serao deixados num meio que os conhece. Porque entregues ao Estado Portugues, so poderia esperar o pior.)

Manel disse...

Sim, é verdade. E sei perfeitamente que a saída deles foi legal, dentro do que está previsto na medida de coacção que lhes foi aplicada. Não me faz sentido, mas pronto. Os pontos que me fazem mais impressão são mesmo os anteriores da lista. O raio da telenovela luso-britânica foi apenas uma espoleta que me levou a escrever algumas das coisas que, digamos, me fazem espécie...

A posse, sempre a posse, oficialmente, oficiosamente a posse. Fisicamente, mentalmente, a posse. A posse de coisas, a posse de habilitações, a posse de filhos, a posse do outro, o outro como função, como estatuto, como tudo menos gente. Começa no berço. Começa antes do berço. E é tudo legal. Mas felizmente não está tudo na mão do estado, e não há moeda sem reverso.

Não pensem que eu continuo deprimida, com esta conversa toda. Estou bem longe disso, cada vez mais longe, parece-me. Fica a ressalva, que eu bem sei que vos faço sofrer um bocado...ou suspirar de enfado, quiçá. ;)

MPR disse...

Os filhos que no dia da mãe pedem à professora para fazer a prenda para a ama...

JL disse...

:)

violeta13 disse...

não te esqueças amiga de todo o reverso da medalha. quando tentamos torná-los independentes e responsabilizá-los pelos seus actos, somos muitas vezes olhados de revés. tu sabes do que estou a falar...
um filho não pode ser vítima das nossas idiossincrasias, mas também não podemos deixar que se torne o nosso algoz emocional. ser exageradamente permissivo com uma criança é proporcionalmente equivalente a criar um futuro analfabeto social.
ai.... isto de se ser mãe é muito difícil, carago! mas ser-se criança não o é menos.... :)
penso que o Vicente se deu conta disso noutro dia...
"oh mãe, nós somos como um livro, mas que nunca acaba porque estamos sempre a crescer"

Manel disse...

As coisas maravilhosas que saem pela boca desse pestinha cheio de ternura... :)