quinta-feira, agosto 31, 2006

O humor

Este post do Max lembrou-me uma deliciosa alegoria que um saudoso colega da FCG gostava de contar. Já desde o estaladão radiofónico do senhor Acílio, padre da ICAR, me apercebi de que o acompanhamento de menores em risco da responsabilidade da santa madre multinacional me dá logo para a anedota, para o disparate, para a caricatura... não me levem a mal, pois só deste modo consigo evitar que me dê para o bombismo militante. O humor é o desespero bem educado, escreveu Boris Vian. E as duas funcionárias das Oficinas de São José, sacanas das intrometidas que acham que podem meter o bedelho numa instituição de funcionamento comprovadamente exemplar [Gi, Gisberta, tareia, fosso, homicídio, brincadeira de mau gosto, hã?], bem que precisam de rir. E então cá vai:

Um temerário passarinho recém-nascido, deixado por momentos sozinho no ninho, decide lançar-se no espaço e voar. Naturalmente, não consegue, e estatela-se no chão. Meio zonzo, apercebe-se que não conseguirá regressar ao ninho por si só e começa a tiritar de frio. Um cão que ali passava resolve ajudá-lo: pega no passarito e acomoda-o numa quente e fofa bosta que uma vaca deixara ali perto. Contente com o conforto tão generosamente providenciado pelo amigo canino, o passarito chilreia de contente. E canta e canta e canta do seu poiso quentinho. Atraído pelo jovem chilrear, aproxima-se um gato - naturalmente, o mau da fita -, saca da bosta o passarito e devora-o, não sem antes o sacudir um bocadinho, já se sabe que os gatos são animais de um asseio irrepreensível.

Moral da história:
-Nem sempre quem te deixa na merda te quer mal;
-Nem sempre quem te tira da merda te quer bem;
-E sobretudo, quando estiveres na merda está muito caladinho.