quinta-feira, junho 08, 2006


Palácio de Cristal, 6 de Junho de 2006

No ventre da minha cidade
um caminho que me relembre
um ramo que em três se reparta
um assombro que restolhe.

Um pouco de terra por maná
que não seque
que não suje;
que se entranhe nos sulcos húmidos dos dedos
nos vales das unhas
na sala primeira da pele
um cheiro de vida
um cheiro de estrume e sementeira.

Vidas secas que libertam lugar a um verde que o ocupa
um assombro que restolhe
um ramo que em três se reparta.

No ventre das minhas cidades
um caminho paralelo
um pouco de terra por maná
um trilho que me relembre
que estou inteira.

Uma terra que suja
entranha
espelho de mim
aqui
já.

5 comentários:

katraponga disse...

Temos poeta... lindo, cigarrita.

Manel disse...

:) É, às vezes é pó que me dá...

katraponga disse...

É o pó dos sonhos...

violeta13 disse...

meu Deus, meu Deus... ai, meus Deus, dá-lhe o que ela quiser, pois que o merece... pois que escreve como a nascente, pois que vive como falha que o tremor deixa na terra.

Manel disse...

Também te tenho a ti... tenho já mais do que mereço. E a ninguém o pedi, não foi preciso. Até já, mais linda violeta.


[Ia escrever que me deixaste sem palavras, mas vieram-me estas entretanto, do fundo do coração.]