quinta-feira, abril 15, 2010

da informação.

A notícia oficial ficou por AQUI: a 25 de Fevereiro de 2010, Jardim confirma 41 mortos na Madeira.

No mesmo dia 25, este post era publicado AQUI, mas eu não posso deixar de transcrever a sms que o origina:


Pessoal é tudo mentira, o nº de mortos já passa dos 80. Ontem foi 1 pessoa identificar o corpo do seu familiar e ele tinha o nº 81. Ontem a noite a grua do trapiche voltou a ceder e matou mais 4 pessoas e claro continua sempre nos 42 mortos, supostamente já deveriam ter 46. No oudinot apareceram 7 mortos vistos com os proprios olhos das pessoas. Não acreditem em nada. Os politicos nao kerem dizer o nº verdadeiro de falecidos mas a verdade é k ja estao kuase nos 100.
Por favor passem a mensagem parafazer com k as pessoas sejam informadas de tudo e nao lhes escondam nada. Não é justo.



Hoje um amigo madeirense de regresso de uma breve visita familiar recente, traz-me uma história contada na segunda pessoa. Nos dias negros de Fevereiro uma madeirense fez em sete horas um percurso de 15 minutos. As estradas todas cortadas, bombeiros, polícia, equipas de socorro. De desvio em desvio, de paragem em paragem, de bloqueio em bloqueio, assegura que os corpos que viu arrastados ou ainda por arrastar, eram às dezenas. Se não atingiam os quarenta, rondavam. Só os que ela viu. Só nesse dia.


Consternada pela narração, meti-me nas pesquisas. E além do linque acima, encontrei OUTRO, que pergunta onde está o conteúdo DESTE.

— Revista Sábado. Error. Page not found. A página que solicitou foi mudada ou retirada do site. Pedimos desculpas pelo inconveniente. —

Os noventa (?) mortos da Madeira foram levados da imprensa por uma enxurrada tão ou mais perigosa que a original. Isto não é um inconveniente. Isto é muito grave. Isto é muito perigoso. Isto não é uma democracia. Isto não se passa do outro lado do mundo. São portugueses levados pela irresponsabilidade política de todo um governo regional que pavimenta ribeiras com cimento. Se mais este crime, o da censura e da manipulação descarada da informação, é real, então existe gente silenciada. É urgente que se cheguem à frente, que falem.

É urgente que nós perguntemos já e bem alto: quantos são os mortos da Madeira? quem nos mentiu? quem sabia que nos mentiam?


... isto não é brincadeira nenhuma.




adenda:
seguimos as pesquisas. e até 25 de Feveiro as notícias falam dos quarenta e da confusão que parece haver com os números. a partir daí parece que o assunto se some no ar. miraculosamente, como a recuperação do Funchal que, dizem-me, parece já uma cidade onde nada se passou.

divulguem. investiguem. perguntem. digam alguma coisa aqui, no facebook, no café, no trabalho, em casa. pelos mortos, mas sobretudo pelos vivos. por vocês. por nós.

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