sábado, setembro 16, 2006

Agnóstica, graças a dEus.

Grandes altercações - sim, porque em geral não é de debates que se trata -, se têm multiplicado, pela blogoesfera e não só, acerca das teorias da conspiração sobre o 11 de Setembro de 2001. Vejo gente a afirmar coisas a pés juntos de um e de outro lado, com o espírito combativo com que se defende um clube de futebol ou a banda filarmónica do bairro. Ultimamente, as vedetas são estes rapazes, que fizeram um documentário caseiro muito bem construído, honra lhes seja feita, e que a RTP2 passou há um dia ou dois. Provavelmente têm uma bela imaginação, prazer na dedução e gostam de sentir que não andam em rebanho, o que já não é pouco. Não acredito no filme, apenas permito que este me levante questões - entretanto, pelo menos, pensa-se sobre coisas que as teses oficiais fazem por ignorar. Nada de novo. Não começou com Bush, não acabará com Bush, nem tão pouco começou ou terminará na América. No entanto a escala alarga-se cada vez mais, assim como as mais diversas manipulações, e é imenso o poder que está em jogo no jogo da informação - ou do seu oposto.

Mas penso que defender inabalavelmente as teses oficiais sem cheirar o esturro das fracas investigações, das histórias mal-contadas, do lucro incalculável - material e ideológico - que a destruição do World Trade Center trouxe aos terroristas de um e outro lado, é tão ou mais ingénuo do que acreditar em documentários caseiros. Mais do que teorias de conspiração sobre implosões provocadas, aviões trocados, telefonemas falsos e suicidas que afinal estão vivos, intrigam-me as relações escuras entre os poderes mundiais, não necessariamente entre os títeres, mas entre os marioneteiros. E aos que se fiam nas qualidades humanas dos governantes - ah, não, não seriam capazes de sacrificar o seu próprio povo, por muitos e inconfessáveis interesses que tivessem [e que povo?, todo o Mundo trabalhava e passava pelo WTC todos os dias] - só digo que essa é a parte que menos me custa a crer. Mercê talvez da minha educação familiar marxista, habituei-me a considerar - e mantenho - que "o capitalismo não tem pátria". E creio, muito sinceramente, que é má ideia, e cegueira, esquecer esse pormenor.


Casa da Música, Porto
Foto de JL


O onze de Setembro é uma data duplamente negra. Santiago do Chile em 1973 - as vítimas de hoje são os terroristas de ontem, num ciclo interminável de onde ninguém quer sair [seria preciso arrumar os cachecóis das claques e abdicar de infinitas ambições] - e Nova Iorque em 2001. Aos que morreram num e noutro, bem como nas consequências intermináveis de cada um, devemos um pedido de perdão: por nada querermos aprender com o seu estúpido sacrifício.

4 comentários:

Paulo disse...

Prabens pelo blog, ta muito bem conseguido.

Truta Azul disse...

Ora aí está, Manel... É mesmo isso. A recusa em aprender... A triste recusa, sublinhe-se.

Mas veste o que quiseres da cor que bem entenderes. Se estiver podre por dentro não é a linda cor ideológica da camisola que lhe permitirá manter-se... Que importam as ideologias nas mãos dos corruptos deste mundo. O capitalismo é, definitavamente, a camisola que não engana ninguém. As outras são marionetes nas mãos de interesses outros muito pouco elevados... Quanto mais o mundo avança, mais se torna igual a si mesmo.

Manel disse...

Ora nem mais... agora diz-que se chama economia de mercado. Mas continua a não passar daquilo que é.

Obrigada, Toi. Bem-vindo. :)

Nic disse...

as vitimas de ontem sao os terroristas de hoje...

:(