terça-feira, janeiro 05, 2010

deadline


musée d'art moderne, Paris
Dezembro de 2009



há mortes que deviam ser proibidas, a não ser que se tratassem de suicídios. há artistas que cavam buracos de luz que nunca vazam dentro de nós. mort... n'est pas le mot juste.


segunda-feira, janeiro 04, 2010

domingo, janeiro 03, 2010

des pincements au quai




j'aime bien les fenêtres.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

quinta-feira, dezembro 31, 2009

no one can lift the damn thing...

... and here's to a new year of weightlifting.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

quiet night. :)



Freddie Hubbard, o bravo, sobrevivendo brilhantemente sobre McCoy Tyner, o boi (que bomba de solo), Ron Carter, o pilar, e Elvin Jones, a locomotiva. prenda de solstício de inverno. enjoy.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

... que se te portares bem és recompensado.




... cinco anéis d'ouro...
quatro carriças, três galinholas, duas rolinhas
e um faisão conduzindo um trenó!


bom solstício, gente!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

terça-feira, dezembro 22, 2009

em espelho

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e o abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,


que te procuram.


Herberto Hélder, Tríptico II, in
A colher na boca



Lisboa, Dezembo de 2009

segunda-feira, dezembro 21, 2009

at mr Wiseman's class.





Há um ano, no DocLx, houve um olhar que em duas horas se instalou em mim e mudou a minha cabeça, talvez para sempre. Há um ano dizia-se que talvez não houvesse outra oportunidade de ver este filme tão cedo. Hoje, na minha demanda regular por iogurte grego, descobri que está no Corte Inglês. E quero, absolutamente, ir vê-lo outra vez. AFTERSCHOOL, de Antonio Campos [penso que traduzido mais ou menos à letra para "Depois das aulas"]. Há um ano alguém me dizia que já não há pachorra para filmes sobre adolescentes e eu pensava na tragédia que é que não se perceba até que ponto este é um filme sobre os adultos. É demolidor. É perturbante. É desafiador. Cheio de uma vibração subterrânea e quase adormecida. É —mesmo— a não perder.

sábado, dezembro 19, 2009

terça-feira, dezembro 15, 2009

alter ego 2.0




Unions mixtes, mariages libres et noces barbares
Antichambre et anciennes latrines de l'Abbaye de Maubuisson
por AKAA (alter-ego de Orlan)
até Março de 2010

alter ego



Unions mixtes, mariages libres et noces barbares
Antichambre et anciennes latrines de l'Abbaye de Maubuisson
por AKAA (alter-ego de Orlan)
até Março de 2010

o perto e o longe




we'll take'em down, one by one, while we're still young.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

salle des religieuses

reflecte o preto mais que o branco. reflexo é um, cegueira outro. o ouro explode e é tudo. nos plissados vazios os corpos movem-se desaprisionados. e eu fico-me a desejar um beijo da artista.


Orlan, Unions Mixtes, mariages libres et noces barbares
na Abadia de Maubuisson até Março de 2010
foto de ASD

sol de inverno

às cinco e meia é noite e sim, isso é deprimente. mas os dias, ah os dias são os melhores do ano. a temperatura varia entre o zero e os seis negativos e as nuvens piram-se para sul deixando o campo aberto ao sol e à luz fria do crepúsculo. sol forte e um frio de gelar, são os melhores dias do ano. ao ar livre a paz é rainha, frio seco é doce, é um ar de carícia no rosto, e rir é perigoso, pode não se conseguir fechar a boca, manter a boca fechada também, depois não se consegue comer durante uma meia hora. o sarcófago sugerido do frio congelante obriga o sangue a circular e a atenção a acompanhar sempre o corpo. e isso é tão bom. claro que o aquecimento central quando se pode carregar baterias é fulcral na sobrevivência e já sei que só vou ficar doente quando voltar para Lisboa e levar com o frio e a humidade dos interiores, por mais dias radiosos que lá me aguardem. neve é que ainda nem vê-la. o sacré coeur continua com o branquinho-bolo-de-noiva do costume.




Abbaye de Maubuisson, Dez 2009

domingo, dezembro 13, 2009

les petits agités — adenda.

passei de carro, sem tempo para parar. mas o pendão de pano na fachada merece o meu reconhecimento. e rezava o seguinte:

Le Lycée Voltaire soutiens tous les elèves et les parents sans papiers.



não é um pormenor, o que se passa aqui.

mirroirs




Portraits Autoportraits
de Gilles Robert
Place du Palais Royal
Dez 2009

sábado, dezembro 12, 2009

e chegou um momento em que ela só disse:

— esta noite vais chorar.


e em poucas horas tudo estava terminado.


les petits agités.

Em França existe agora uma lei que estabelece quotas anuais para a expulsão de imigrantes ilegais. Com penalizações para as forças de autoridade que as não cumprirem. Em França sempre existiu o direito do solo, sejam os teus pais legais ou ilegais, nasceste aqui, és francês. Tomam-se providências progressivas para que deixe de ser assim. Mas é esse direito ao solo em que se nasce que, em França, faz com que se aplique a lei da escolaridade obrigatória sem excepções. Legais ou ilegais os pais, os filhos têm de estar na escola. Ora é óbvio para que esta lei exista sem que a lei da imigração a anule, é necessário que se respeite claramente a noção de que falamos de dois campos que não se podem interseccionar. Mas é em França que as autoridades para a imigração estão a chamar à escola pais ilegais sob o pretexto de falar sobre os seus filhos, para depois os prender e repatriar. É em França que, no fundo, as autoridades para a imigração andam a usurpar escandalosa, criminosamente, a identidade das direcções escolares e a minar um princípio fundamental do seu sistema democrático inclusivo. Mas como sempre em França, há quem pratique a resistência quotidiana.

Como nesta escola mesmo ao lado de onde durmo estas noites. A comunhão fugaz da celulose expôs-se durante uns quantos dias sob a lápide que recorda as centenas de alunos levados dos bancos escolares do 9ème arrondissement para os campos nazis. A estória europeia ressente-se sempre dos pequenos agitados, para usar a feliz expressão de Badiou. E dos olhos fechados.




rue Chaptal, dezembro 2009

em patins




mais um dia cheio de luz.

sexta-feira, dezembro 11, 2009