... and here's to a new year of weightlifting.
quinta-feira, dezembro 31, 2009
terça-feira, dezembro 29, 2009
sexta-feira, dezembro 25, 2009
quiet night. :)
Freddie Hubbard, o bravo, sobrevivendo brilhantemente sobre McCoy Tyner, o boi (que bomba de solo), Ron Carter, o pilar, e Elvin Jones, a locomotiva. prenda de solstício de inverno. enjoy.
quinta-feira, dezembro 24, 2009
... que se te portares bem és recompensado.
... cinco anéis d'ouro...
quatro carriças, três galinholas, duas rolinhas
e um faisão conduzindo um trenó!
bom solstício, gente!
quarta-feira, dezembro 23, 2009
terça-feira, dezembro 22, 2009
em espelho
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e o abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Hélder, Tríptico II, in A colher na boca

Lisboa, Dezembo de 2009
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e o abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Hélder, Tríptico II, in A colher na boca

Lisboa, Dezembo de 2009
segunda-feira, dezembro 21, 2009
at mr Wiseman's class.
Há um ano, no DocLx, houve um olhar que em duas horas se instalou em mim e mudou a minha cabeça, talvez para sempre. Há um ano dizia-se que talvez não houvesse outra oportunidade de ver este filme tão cedo. Hoje, na minha demanda regular por iogurte grego, descobri que está no Corte Inglês. E quero, absolutamente, ir vê-lo outra vez. AFTERSCHOOL, de Antonio Campos [penso que traduzido mais ou menos à letra para "Depois das aulas"]. Há um ano alguém me dizia que já não há pachorra para filmes sobre adolescentes e eu pensava na tragédia que é que não se perceba até que ponto este é um filme sobre os adultos. É demolidor. É perturbante. É desafiador. Cheio de uma vibração subterrânea e quase adormecida. É —mesmo— a não perder.
sábado, dezembro 19, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
alter ego 2.0
Unions mixtes, mariages libres et noces barbares
Antichambre et anciennes latrines de l'Abbaye de Maubuisson
por AKAA (alter-ego de Orlan)
até Março de 2010
alter ego
Unions mixtes, mariages libres et noces barbares
Antichambre et anciennes latrines de l'Abbaye de Maubuisson
por AKAA (alter-ego de Orlan)
até Março de 2010
segunda-feira, dezembro 14, 2009
salle des religieuses
reflecte o preto mais que o branco. reflexo é um, cegueira outro. o ouro explode e é tudo. nos plissados vazios os corpos movem-se desaprisionados. e eu fico-me a desejar um beijo da artista.

Orlan, Unions Mixtes, mariages libres et noces barbares
na Abadia de Maubuisson até Março de 2010
foto de ASD

Orlan, Unions Mixtes, mariages libres et noces barbares
na Abadia de Maubuisson até Março de 2010
foto de ASD
sol de inverno
às cinco e meia é noite e sim, isso é deprimente. mas os dias, ah os dias são os melhores do ano. a temperatura varia entre o zero e os seis negativos e as nuvens piram-se para sul deixando o campo aberto ao sol e à luz fria do crepúsculo. sol forte e um frio de gelar, são os melhores dias do ano. ao ar livre a paz é rainha, frio seco é doce, é um ar de carícia no rosto, e rir é perigoso, pode não se conseguir fechar a boca, manter a boca fechada também, depois não se consegue comer durante uma meia hora. o sarcófago sugerido do frio congelante obriga o sangue a circular e a atenção a acompanhar sempre o corpo. e isso é tão bom. claro que o aquecimento central quando se pode carregar baterias é fulcral na sobrevivência e já sei que só vou ficar doente quando voltar para Lisboa e levar com o frio e a humidade dos interiores, por mais dias radiosos que lá me aguardem. neve é que ainda nem vê-la. o sacré coeur continua com o branquinho-bolo-de-noiva do costume.

Abbaye de Maubuisson, Dez 2009

Abbaye de Maubuisson, Dez 2009
domingo, dezembro 13, 2009
les petits agités — adenda.
passei de carro, sem tempo para parar. mas o pendão de pano na fachada merece o meu reconhecimento. e rezava o seguinte:
Le Lycée Voltaire soutiens tous les elèves et les parents sans papiers.
não é um pormenor, o que se passa aqui.
Le Lycée Voltaire soutiens tous les elèves et les parents sans papiers.
não é um pormenor, o que se passa aqui.
sábado, dezembro 12, 2009
e chegou um momento em que ela só disse:
— esta noite vais chorar.
e em poucas horas tudo estava terminado.
e em poucas horas tudo estava terminado.
les petits agités.
Em França existe agora uma lei que estabelece quotas anuais para a expulsão de imigrantes ilegais. Com penalizações para as forças de autoridade que as não cumprirem. Em França sempre existiu o direito do solo, sejam os teus pais legais ou ilegais, nasceste aqui, és francês. Tomam-se providências progressivas para que deixe de ser assim. Mas é esse direito ao solo em que se nasce que, em França, faz com que se aplique a lei da escolaridade obrigatória sem excepções. Legais ou ilegais os pais, os filhos têm de estar na escola. Ora é óbvio para que esta lei exista sem que a lei da imigração a anule, é necessário que se respeite claramente a noção de que falamos de dois campos que não se podem interseccionar. Mas é em França que as autoridades para a imigração estão a chamar à escola pais ilegais sob o pretexto de falar sobre os seus filhos, para depois os prender e repatriar. É em França que, no fundo, as autoridades para a imigração andam a usurpar escandalosa, criminosamente, a identidade das direcções escolares e a minar um princípio fundamental do seu sistema democrático inclusivo. Mas como sempre em França, há quem pratique a resistência quotidiana.
Como nesta escola mesmo ao lado de onde durmo estas noites. A comunhão fugaz da celulose expôs-se durante uns quantos dias sob a lápide que recorda as centenas de alunos levados dos bancos escolares do 9ème arrondissement para os campos nazis. A estória europeia ressente-se sempre dos pequenos agitados, para usar a feliz expressão de Badiou. E dos olhos fechados.

rue Chaptal, dezembro 2009
Como nesta escola mesmo ao lado de onde durmo estas noites. A comunhão fugaz da celulose expôs-se durante uns quantos dias sob a lápide que recorda as centenas de alunos levados dos bancos escolares do 9ème arrondissement para os campos nazis. A estória europeia ressente-se sempre dos pequenos agitados, para usar a feliz expressão de Badiou. E dos olhos fechados.

rue Chaptal, dezembro 2009
sexta-feira, dezembro 11, 2009
quarta-feira, dezembro 09, 2009
écrivez moi souvent

moldes da mão esquerda de Chopin e do braço direito de George Sand
Musée de la Vie Romantique, rue Chaptal
... tenho um trilião de posts para fazer sobre Paris. mas ainda cá estou. e felizmente, não tenho tempo.
à bientôt.
domingo, dezembro 06, 2009
à propos
em 1871 esta letra era cantada sobre a tão simbólica marselhesa — é revelador que, não perdendo a sua força simbólica, o canto de Marselha tenha mantido o seu belicismo e recusado a construção a que se exorta nestes versos. em 1888 nasceu A Internacional como a conhecemos hoje. em Portugal, as versões do PCP e do PS divergem nuns quantos versos. honre-se a liberdade, mas não deixa de fazer soar o gongo das improbabilidades. e seja numa grafonola solitária de Fellini, seja num estúdio do São João a gravar o som para os Tambores na Noite, seja na Atalaia, na fronteira entre o dentro e o fora de um comício, isto remexe-me sempre por dentro. a beleza deste hino é um olhar de criança questionando os nossos fracassos. Eugéne Pottier, autor da letra, foi um dos sobreviventes da semana sangrenta de Maio de 1871. et vive la Commune!
Debout, les damnés de la terre
Debout, les forçats de la faim
La raison tonne en son cratère,
C'est l'éruption de la faim.
Du passé faisons table rase,
Foule esclave, debout, debout
Le monde va changer de base,
Nous ne sommes rien, soyons tout.
C'est la lutte finale ;
Groupons nous et demain
L'Internationnale
Sera le genre humain.
Il n'est pas de sauveurs suprêmes
Ni Dieu, ni César, ni Tribun,
Producteurs, sauvons-nous nous-mêmes
Décrétons le salut commun.
Pour que le voleur rende gorge,
Pour tirer l'esprit du cachot,
Soufflons nous-même notre force,
Battons du fer tant qu'il est chaud.
L'Etat comprime et la Loi triche,
L'impôt saigne le malheureux ;
Nul devoir ne s'impose au riche ;
Le droit du pauvre est un mot creux
C'est assez languir en tutelle,
L'Egalité veut d'autres lois ;
" Pas de droits sans devoirs, dit-elle
Egaux pas de devoirs sans droits ".
Hideux dans leur apothéose,
Les rois de la mine et du rail
Ont-ils jamais fait autre chose
Que dévaliser le travail ?
Dans les coffres-forts de la banque
Ce qu'il a crée s'est fondu,
En décrétant qu'on le lui rende,
Le peuple ne veut que son dû.
Les rois nous saoûlaient de fumée,
Paix entre nous, guerre aux Tyrans
Appliquons la grève aux armées,
Crosse en l'air et rompons les rangs !
S'ils s'obstinent ces cannibales
A faire de nous des héros,
Ils sauront bientôt que nos balles
Sont pour nos propres généraux.
Ouvriers, paysans, nous sommes
Le grand parti des travailleurs,
La terre n'appartient qu'aux hommes,
L'oisif ira loger ailleurs.
Combien de nos chairs se repaissent !
Mais si les corbeaux, les vautours,
Un de ces matins disparaissent,
Le soleil brillera toujours.
Debout, les damnés de la terre
Debout, les forçats de la faim
La raison tonne en son cratère,
C'est l'éruption de la faim.
Du passé faisons table rase,
Foule esclave, debout, debout
Le monde va changer de base,
Nous ne sommes rien, soyons tout.
C'est la lutte finale ;
Groupons nous et demain
L'Internationnale
Sera le genre humain.
Il n'est pas de sauveurs suprêmes
Ni Dieu, ni César, ni Tribun,
Producteurs, sauvons-nous nous-mêmes
Décrétons le salut commun.
Pour que le voleur rende gorge,
Pour tirer l'esprit du cachot,
Soufflons nous-même notre force,
Battons du fer tant qu'il est chaud.
L'Etat comprime et la Loi triche,
L'impôt saigne le malheureux ;
Nul devoir ne s'impose au riche ;
Le droit du pauvre est un mot creux
C'est assez languir en tutelle,
L'Egalité veut d'autres lois ;
" Pas de droits sans devoirs, dit-elle
Egaux pas de devoirs sans droits ".
Hideux dans leur apothéose,
Les rois de la mine et du rail
Ont-ils jamais fait autre chose
Que dévaliser le travail ?
Dans les coffres-forts de la banque
Ce qu'il a crée s'est fondu,
En décrétant qu'on le lui rende,
Le peuple ne veut que son dû.
Les rois nous saoûlaient de fumée,
Paix entre nous, guerre aux Tyrans
Appliquons la grève aux armées,
Crosse en l'air et rompons les rangs !
S'ils s'obstinent ces cannibales
A faire de nous des héros,
Ils sauront bientôt que nos balles
Sont pour nos propres généraux.
Ouvriers, paysans, nous sommes
Le grand parti des travailleurs,
La terre n'appartient qu'aux hommes,
L'oisif ira loger ailleurs.
Combien de nos chairs se repaissent !
Mais si les corbeaux, les vautours,
Un de ces matins disparaissent,
Le soleil brillera toujours.
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