sábado, outubro 24, 2009
entre nósoutrxs
semana cortada em duas, como a cabeça. dois mundos em nada similares mas que se interseccionam sempre, como sempre que em texturas diferentes se procura uma verdade. ou várias. a semana perfeita para adoecer, portanto, para ter de gerir fôlegos e horas de sono, para encaixar rossios em betesgas hora após hora, comprimido após comprimido. há vidas mais fáceis, mas... o que vale é que estou entre nósoutrxs e entre nósoutrxs está-se muito bem. alem de que amanhã muda a hora. e muda para melhor.
pretérito perfeito em espelho
esta noite sonhei na repetição.
era o fundador. era a estação. a luz um pouco diferente, mas ainda demasiado contente de si.
demasiado insegura.
pediste o quarto.
disseste timidez.
tocaste devagar.
deixaste tudo fechado, disseste que era para respirar.
caminhaste até ao carril na manhã descorada,
cantando que o teu corpo te encerra.
que vives numa casa de cardos.
que o espectáculo é lento como tem de ser o turbilhão.
e eu, longe do corpo, assisti.
só havia comboios, desta vez, não procuravas autocarros.
mas continuavas a temer a viagem
como se o medo fosse o tudo.
não sei se te sorri. se te lamentei.
se me lamentei.
era o fundador. era a estação. a luz um pouco diferente, mas ainda demasiado contente de si.
demasiado insegura.
pediste o quarto.
disseste timidez.
tocaste devagar.
deixaste tudo fechado, disseste que era para respirar.
caminhaste até ao carril na manhã descorada,
cantando que o teu corpo te encerra.
que vives numa casa de cardos.
que o espectáculo é lento como tem de ser o turbilhão.
e eu, longe do corpo, assisti.
só havia comboios, desta vez, não procuravas autocarros.
mas continuavas a temer a viagem
como se o medo fosse o tudo.
não sei se te sorri. se te lamentei.
se me lamentei.
terça-feira, outubro 20, 2009
qué niebla, no se ve nada.
tenho de escrever escrever escrever. agarrar os relâmpagos. como é que se agarra um relâmpago? sem queimar a mão, quer dizer. estão cá os feixes todos, reflectem em alta velocidade as paredes do labirinto, inscrevem gritos nas paredes, slogans, frases de combate, e deixam espalhado nos corredores tudo o que escorrega das paredes, tudo o que na sua essência não se grava. ou melhor, tudo o que, no seu avanço, se tecnologiza e passa a registar-se por gravação molecular. está lá, linha por linha, palavra por palavra. só não se lê. o que faz com que apenas a sua energia dispersa nos corredores pareça sinal da sua existência, o que faz crer que se aspergiu, se desmaterializou. engano. nada disso. moleculou-se. insidiou-se. mas está lá. só tem de ser sugado outra vez. e depois há-de morder os relâmpagos.
segunda-feira, outubro 19, 2009
meio século de diferença — ou a metáfora funda da metempsicose.
You'll be a baby again — a bald, redfaced little animal, and then you'll go through it all again. There'll be millions of others like you — all with their mouths open, squalling for food. And the when you get a little older you'll begin to learn things — and you'll learn all the wrong things and learn them all in the wrong way. You'll eat the wrong food and wear the wrong clothes, and you'll live in swarming dens where there's no light and no air! You'll learn to be a liar and a bully and a braggart and a coward and a sneak. You'll learn to fear the sunlight and to hate beauty. By that time you'll be ready for school. There they'll tell you the truth about a great many things that you don't give a damn about, and they'll tell you lies about all the things you ought to know — and about all the things you want to know they'll tell you nothing at all. When you get through you'll be equiped for your life work. You'll be ready to take a job.
Elmer Rice, The Adding Machine, Scene VIII (1923)
John Lennon - Working Class Hero.mpg
Enviado por romszone_com. - Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais.
John Lennon/Plastic Ono Band, Working Class Hero (1970)
... e de cada vez que oiço um, penso no outro.
Elmer Rice, The Adding Machine, Scene VIII (1923)
John Lennon - Working Class Hero.mpg
Enviado por romszone_com. - Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais.
John Lennon/Plastic Ono Band, Working Class Hero (1970)
... e de cada vez que oiço um, penso no outro.
e assim [pois, diz que estreei...]

fotografia [de ensaio] de Catarina V.
Até fim de Novembro, pessoal, de terça a domingo no Teatro da Trindade, a liberdade é onde um homem não quiser.
Máquina de Somar
Baseado na peça “Adding Machine” de Elmer Rice
Composição Musical de Joshua Schmidt Libretto de Jason Loewith e Joshua Schmidt
Encenação de Fernanda Lapa Direcção Musical de João Paulo Soares Cenografia e Figurinos de António Lagarto Coreografia de Marta Lapa Desenho de Luz de Paulo Sabino Apoio vocal de Rui Baeta
Com Henrique Feist, Luís Madureira, Joana Manuel, Luísa Brandão, Luís Gaspar, Sérgio Lucas, Bruno Cochat, Andreia Ventura, Joana Campelo
Músicos ao vivo: Francisco Cardoso, Daniel Hewson, João Paulo Soares
quarta-feira, outubro 14, 2009
este sábado, 17 de outubro, no Camões, em Lisboa
Pelo direito a falar por si mesmo, pelo direito a não ser binário e ainda assim ser inteiro. Mais informações AQUI.
*
17th of October 2009: Actions in more than 35 cities around the world:
Alicante (Estado Español), Ankara (Turquía) , Archena (Estado Español), Barcelona (Països Catalans), Berlín (Alemania), Bilbao (Euskal Herria), Bogotá (Colombia), Bruselas (Bélgica), Buenos Aires (Argentina), Campinas (Brasil), Caracas (Venezuela), Ciudad de México (México), Corunha (Galiza), Donosti (Euskal Herria), Gasteiz (Euskal Herria), Granada(Estado Español), Jerusalem (Israel), Hong-Kong (China), Jaén (Estado Español) Las Palmas de Gran Canaria (Estado Español), Lille (Francia), Lima (Perú), Lisboa (Portugal), Londres (Reino Unido), Madrid (Estado Español), Managua (Nicaragua),Montpellier (France), Montreal (Quebec), Paris (France), Quito (Ecuador), Sevilla (Estado Español), San Francisco (California), Santiago de Cali (Colombia), Santiago de Chile (Chile), Santiago de Compostela(Galiza),Sao Paulo (Brasil), Valencia (País Valencià), Zaragoza(Estado Español).
terça-feira, outubro 13, 2009
género: imbecil [para a minha Raquel]
que outra classificação se pode dar a uma jornalista [da TVI] que ao falar das reformas antecipadas refere as profissões de desgaste rápido, como "bailarinAs, bombeiros", etc etc? estou aqui a pensar que era muito mais giro dizer bailarinOs e bombeirAs. sobretudo porque não costumo andar a apalpar os genitais dos amigos, a não ser que eles me peçam, mas assim de repente conheço uma catrefada de bailarinAs que eu era capaz de jurar que são homens.
... santa paciência.
[gostas de ballet? então és feminina. percebes de fichas triplas, então és um camionista de certeza.]
... santa paciência.
[gostas de ballet? então és feminina. percebes de fichas triplas, então és um camionista de certeza.]
segunda-feira, outubro 12, 2009
a lanterna
quando me deixo entrar, perco-me. quando me afasto vejo tudo tão transparente como uma pupila. e isso tranquiliza-me. mas a tranquilidade faz-me voltar a entrar sem que perceba como. e perco-me novamente. e eu sempre gostei de andar sem bússola, de ao volante pôr o nariz de fora para confirmar de que lado é o mar, mas aqui não me quero perder mais. os limos são venenosos. as camarinhas também. a sombra espalhou-se demasiado. e fico eu com as mãos molhadas e os olhos secos, a tremer no escuro, a render-me ao frio. é muito. quero uma lanterna.
VOTO INÚTIL RULES!
E os meus pêsames ao Porto e a quem está a aturar a guincharia da Marlene a esta hora [sim, a camioneta de campanha do Rio tem um nome e é Marlene].
Ah... qualquer rumor de que eu tenha nascido em Oeiras é calúnia.
Ah... qualquer rumor de que eu tenha nascido em Oeiras é calúnia.
terça-feira, outubro 06, 2009
divergências significantes: a contradição — ou — on s'embrasse?
a coerência de um texto, por pequeno que seja o fragmento, tem muito que se lhe diga.
agradecimentos à Sara Cacao.
sábado, outubro 03, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
passos em três
İlgili aramalar: sinema - fragman - the mood for love,violin,china - violin - keman - the mood
— um ternário é um ciclo, um moto perpetuo.
quinta-feira, outubro 01, 2009
quarta-feira, setembro 30, 2009
pela água

anjos, set 2009
quando o tempo se retorce nasce por vezes uma pequena cascata.
talvez não tão pequena, mas, proporcionalmente, claro eco de cataratas maiores e mais avassaladoras.
o dentro a ludibrar-se sem precisar de ajuda, a doçura calma que deixa um bicho enraivecido encerrado num qualquer compartimento flutuando na linfa, uma morte, a falta, o olhar em frente sempre disperso, sempre inquieto, sempre insuficiente.
e a cama recebe-me em dúvidas, o corpo em desconforto só buscando sono e anestesia para ser acordado de um soco.
pela imagem recorrente do teu outro corpo, pela primeira vez, depois de tanto tempo, era outro e eu não o queria.
essa derradeira e acre mistura com que me mataste, cheia de grânulos, as tuas costas nuas reflectidas no espelho do quarto errado, o teu corpo violador de si mesmo, homicida de ninguém mais e de mim também
e porquê de mim também? —a resposta que me fugirá sempre. a resposta que foste cobarde demais para me dar. quanto tempo passou já? falham-me os dedos a contar os furos no caminho.
como perdoar-te tamanho crime? como esquecer um amor tão grande usado para desmaterializar qualquer vida em redor pelas décadas seguintes?
como posso sonhar depois de ter perdido os sentidos de tudo?
como posso acreditar no sangue depois de uma morte pulverizada?
gostava de encontrar-te [nas] respostas,
mas sou um túnel de perguntas.
domingo, setembro 27, 2009
ding dong, the witch is dead!
mortinha da silva. e também a maioria absoluta. a subida do CDS, espero, foram as direitas que perceberam que a Manela não ia lá e perdido por cem perdido por mil. o Bloco vai ter um grupo parlamentar catita. e as esquerdas a maioria. e agora, as desculpas, foram-se? é agora que começamos a aprender como se faz uma democracia parlamentar? ou ai ai ai que sem maioria não se consegue governar?
[suck on it, babes. voto útil... voto útil my ass. tentei poupar a câmara de Lx ao Carmona e arrependi-me assim que deitei o voto. mais deslizes desses, como dizia o outro, jamé!]
sábado, setembro 26, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
e alguém diz que apenas PS e PSD têm "vocação" para governar ou Já passa da meia-noite mas eu mudo a hora do post ou Curto bué títulos compridos
E que até têm sido responsáveis a governar, apesar dos erros. E eu fico a pensar que é precisamente esta noção generalizada que os faz rodar no poder há trinta anos. E em trinta anos pouco ou nada mudou nas mãos desses dois partidos no que toca a características estruturais herdadas do estado novo. E ambos, com umas razoáveis diferenças que se prendem com algum capital humano que faz a diferença, têm-se mostrado bastante claramente como braços políticos de classe, muito mais do que servidores da causa pública. Temos uma democracia formal, mas uma oligarquia prática, e graças à acção quer de PS quer de PSD. Nem tudo é mau. Temos uma Constituição bastante avançada — comunista, diz o Portas e a gente ri-se — e temos a imensa vantagem geográfica de estarmos aqui e haver sempre um certo comboio dos tempos com uns lugarezitos para nós na última carruagem antes dos vagões de carga — também era melhor, que estivéssemos ainda pior do que estamos.
A população portuguesa... bom, é mesquinha, pequenina, invejosa. Mas também há outro tipo de português, geralmente perde-se na falta de esperança ou salva-se de Portugal e pira-se, como o Jorge de Sena, ou, os sortudos, acaba por contentar-se com os pequenos nadas que fazem a vida, e vai tentanto iluminar os seus pequenos mundos, sobretudo se tem suficientes privilégios económicos e sociais para isso. Mas muitos, quase todos, quando recebem o poder não sabem o que fazer com ele, e rejeitam-no, como se o "fazer" trouxesse em si todo o peso da culpa de existir — o respeitinho é muito lindo, e cá vamos cantando e rindo.
E rende o arrivismo, o carreirismo, a total ignorância do que significa a palavra "política", do que é a polis, do que devemos uns aos outros precisamente porque não nos devemos nada uns aos outros. A democracia dá trabalho, e nós, mais do que preguiçosos, somos burros. E não gostamos que nos lembrem isso. E aí ficamos maus. E depois passa-nos. É uma petinga de rabo na boca.
A população portuguesa... bom, é mesquinha, pequenina, invejosa. Mas também há outro tipo de português, geralmente perde-se na falta de esperança ou salva-se de Portugal e pira-se, como o Jorge de Sena, ou, os sortudos, acaba por contentar-se com os pequenos nadas que fazem a vida, e vai tentanto iluminar os seus pequenos mundos, sobretudo se tem suficientes privilégios económicos e sociais para isso. Mas muitos, quase todos, quando recebem o poder não sabem o que fazer com ele, e rejeitam-no, como se o "fazer" trouxesse em si todo o peso da culpa de existir — o respeitinho é muito lindo, e cá vamos cantando e rindo.
E rende o arrivismo, o carreirismo, a total ignorância do que significa a palavra "política", do que é a polis, do que devemos uns aos outros precisamente porque não nos devemos nada uns aos outros. A democracia dá trabalho, e nós, mais do que preguiçosos, somos burros. E não gostamos que nos lembrem isso. E aí ficamos maus. E depois passa-nos. É uma petinga de rabo na boca.
quinta-feira, setembro 24, 2009
caixinha de comentários
[para o meu mano Possante]
o amor é secundário.
é o que contrabalança a terra e o sangue e a fuligem que somos.
o amor não é animal. só um animal o pode sentir e rebelar-se contra o esmagamento.
oa animais são estúpidos como o amor.
o amor pode nunca interferir com a respiração.
ou com a alimentação.
ou com o sono.
o amor é secundário.
há quem diga que deus é amor, mas eu não acredito em deus.
a energia não tem amor, tem calor.
o amor é quente.
a distância é fria. pode estar frio o amor.
o amor é secundário.
não há mais nada.
o amor é secundário.
é o que contrabalança a terra e o sangue e a fuligem que somos.
o amor não é animal. só um animal o pode sentir e rebelar-se contra o esmagamento.
oa animais são estúpidos como o amor.
o amor pode nunca interferir com a respiração.
ou com a alimentação.
ou com o sono.
o amor é secundário.
há quem diga que deus é amor, mas eu não acredito em deus.
a energia não tem amor, tem calor.
o amor é quente.
a distância é fria. pode estar frio o amor.
o amor é secundário.
não há mais nada.
terça-feira, setembro 22, 2009
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