segunda-feira, outubro 19, 2009

imagens que não são minhas.


fotografias de António Vieira

meio século de diferença — ou a metáfora funda da metempsicose.

You'll be a baby again — a bald, redfaced little animal, and then you'll go through it all again. There'll be millions of others like you — all with their mouths open, squalling for food. And the when you get a little older you'll begin to learn things — and you'll learn all the wrong things and learn them all in the wrong way. You'll eat the wrong food and wear the wrong clothes, and you'll live in swarming dens where there's no light and no air! You'll learn to be a liar and a bully and a braggart and a coward and a sneak. You'll learn to fear the sunlight and to hate beauty. By that time you'll be ready for school. There they'll tell you the truth about a great many things that you don't give a damn about, and they'll tell you lies about all the things you ought to know — and about all the things you want to know they'll tell you nothing at all. When you get through you'll be equiped for your life work. You'll be ready to take a job.

Elmer Rice, The Adding Machine, Scene VIII (1923)




John Lennon/Plastic Ono Band, Working Class Hero (1970)


... e de cada vez que oiço um, penso no outro.

e assim [pois, diz que estreei...]


fotografia [de ensaio] de Catarina V.


Até fim de Novembro, pessoal, de terça a domingo no Teatro da Trindade, a liberdade é onde um homem não quiser.



Máquina de Somar

Baseado na peça “Adding Machine” de Elmer Rice
Composição Musical de Joshua Schmidt Libretto de Jason Loewith e Joshua Schmidt
Encenação de Fernanda Lapa Direcção Musical de João Paulo Soares Cenografia e Figurinos de António Lagarto Coreografia de Marta Lapa Desenho de Luz de Paulo Sabino Apoio vocal de Rui Baeta
Com Henrique Feist, Luís Madureira, Joana Manuel, Luísa Brandão, Luís Gaspar, Sérgio Lucas, Bruno Cochat, Andreia Ventura, Joana Campelo
Músicos ao vivo: Francisco Cardoso, Daniel Hewson, João Paulo Soares

o dezassete foi assim.




STOP Patologização Trans 2012




somos todxs pessoas a quem só a ignorância deve meter medo.

quarta-feira, outubro 14, 2009

este sábado, 17 de outubro, no Camões, em Lisboa




Pelo direito a falar por si mesmo, pelo direito a não ser binário e ainda assim ser inteiro. Mais informações AQUI.




*
17th of October 2009: Actions in more than 35 cities around the world:
Alicante (Estado Español), Ankara (Turquía) , Archena (Estado Español), Barcelona (Països Catalans), Berlín (Alemania), Bilbao (Euskal Herria), Bogotá (Colombia), Bruselas (Bélgica), Buenos Aires (Argentina), Campinas (Brasil), Caracas (Venezuela), Ciudad de México (México), Corunha (Galiza), Donosti (Euskal Herria), Gasteiz (Euskal Herria), Granada(Estado Español), Jerusalem (Israel), Hong-Kong (China), Jaén (Estado Español) Las Palmas de Gran Canaria (Estado Español), Lille (Francia), Lima (Perú), Lisboa (Portugal), Londres (Reino Unido), Madrid (Estado Español), Managua (Nicaragua),Montpellier (France), Montreal (Quebec), Paris (France), Quito (Ecuador), Sevilla (Estado Español), San Francisco (California), Santiago de Cali (Colombia), Santiago de Chile (Chile), Santiago de Compostela(Galiza),Sao Paulo (Brasil), Valencia (País Valencià), Zaragoza(Estado Español).

da partilha

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.

Clarice Lispector

terça-feira, outubro 13, 2009

género: imbecil [para a minha Raquel]

que outra classificação se pode dar a uma jornalista [da TVI] que ao falar das reformas antecipadas refere as profissões de desgaste rápido, como "bailarinAs, bombeiros", etc etc? estou aqui a pensar que era muito mais giro dizer bailarinOs e bombeirAs. sobretudo porque não costumo andar a apalpar os genitais dos amigos, a não ser que eles me peçam, mas assim de repente conheço uma catrefada de bailarinAs que eu era capaz de jurar que são homens.



... santa paciência.

[gostas de ballet? então és feminina. percebes de fichas triplas, então és um camionista de certeza.]

às vezes não me lembro bem de como é que eu era antes de algumas coisas.


You Woke Me Up! - Andrew Bird

segunda-feira, outubro 12, 2009

a lanterna

quando me deixo entrar, perco-me. quando me afasto vejo tudo tão transparente como uma pupila. e isso tranquiliza-me. mas a tranquilidade faz-me voltar a entrar sem que perceba como. e perco-me novamente. e eu sempre gostei de andar sem bússola, de ao volante pôr o nariz de fora para confirmar de que lado é o mar, mas aqui não me quero perder mais. os limos são venenosos. as camarinhas também. a sombra espalhou-se demasiado. e fico eu com as mãos molhadas e os olhos secos, a tremer no escuro, a render-me ao frio. é muito. quero uma lanterna.

VOTO INÚTIL RULES!

E os meus pêsames ao Porto e a quem está a aturar a guincharia da Marlene a esta hora [sim, a camioneta de campanha do Rio tem um nome e é Marlene].


Ah... qualquer rumor de que eu tenha nascido em Oeiras é calúnia.

sábado, outubro 03, 2009

sexta-feira, outubro 02, 2009

passos em três




— um ternário é um ciclo, um moto perpetuo.

quarta-feira, setembro 30, 2009

pela água


anjos, set 2009



quando o tempo se retorce nasce por vezes uma pequena cascata.
talvez não tão pequena, mas, proporcionalmente, claro eco de cataratas maiores e mais avassaladoras.
o dentro a ludibrar-se sem precisar de ajuda, a doçura calma que deixa um bicho enraivecido encerrado num qualquer compartimento flutuando na linfa, uma morte, a falta, o olhar em frente sempre disperso, sempre inquieto, sempre insuficiente.
e a cama recebe-me em dúvidas, o corpo em desconforto só buscando sono e anestesia para ser acordado de um soco.
pela imagem recorrente do teu outro corpo, pela primeira vez, depois de tanto tempo, era outro e eu não o queria.
essa derradeira e acre mistura com que me mataste, cheia de grânulos, as tuas costas nuas reflectidas no espelho do quarto errado, o teu corpo violador de si mesmo, homicida de ninguém mais e de mim também
e porquê de mim também? —a resposta que me fugirá sempre. a resposta que foste cobarde demais para me dar. quanto tempo passou já? falham-me os dedos a contar os furos no caminho.
como perdoar-te tamanho crime? como esquecer um amor tão grande usado para desmaterializar qualquer vida em redor pelas décadas seguintes?
como posso sonhar depois de ter perdido os sentidos de tudo?
como posso acreditar no sangue depois de uma morte pulverizada?

gostava de encontrar-te [nas] respostas,
mas sou um túnel de perguntas.

domingo, setembro 27, 2009

ding dong, the witch is dead!




mortinha da silva. e também a maioria absoluta. a subida do CDS, espero, foram as direitas que perceberam que a Manela não ia lá e perdido por cem perdido por mil. o Bloco vai ter um grupo parlamentar catita. e as esquerdas a maioria. e agora, as desculpas, foram-se? é agora que começamos a aprender como se faz uma democracia parlamentar? ou ai ai ai que sem maioria não se consegue governar?


[suck on it, babes. voto útil... voto útil my ass. tentei poupar a câmara de Lx ao Carmona e arrependi-me assim que deitei o voto. mais deslizes desses, como dizia o outro, jamé!]

sábado, setembro 26, 2009

let the light shine through your torso




[No, baby, I'm nothing like your mother.]

dia de reflexão




[nunca cantei esta com o Foster, mas tenho pena...]

sexta-feira, setembro 25, 2009

e alguém diz que apenas PS e PSD têm "vocação" para governar ou Já passa da meia-noite mas eu mudo a hora do post ou Curto bué títulos compridos

E que até têm sido responsáveis a governar, apesar dos erros. E eu fico a pensar que é precisamente esta noção generalizada que os faz rodar no poder há trinta anos. E em trinta anos pouco ou nada mudou nas mãos desses dois partidos no que toca a características estruturais herdadas do estado novo. E ambos, com umas razoáveis diferenças que se prendem com algum capital humano que faz a diferença, têm-se mostrado bastante claramente como braços políticos de classe, muito mais do que servidores da causa pública. Temos uma democracia formal, mas uma oligarquia prática, e graças à acção quer de PS quer de PSD. Nem tudo é mau. Temos uma Constituição bastante avançada — comunista, diz o Portas e a gente ri-se — e temos a imensa vantagem geográfica de estarmos aqui e haver sempre um certo comboio dos tempos com uns lugarezitos para nós na última carruagem antes dos vagões de carga — também era melhor, que estivéssemos ainda pior do que estamos.

A população portuguesa... bom, é mesquinha, pequenina, invejosa. Mas também há outro tipo de português, geralmente perde-se na falta de esperança ou salva-se de Portugal e pira-se, como o Jorge de Sena, ou, os sortudos, acaba por contentar-se com os pequenos nadas que fazem a vida, e vai tentanto iluminar os seus pequenos mundos, sobretudo se tem suficientes privilégios económicos e sociais para isso. Mas muitos, quase todos, quando recebem o poder não sabem o que fazer com ele, e rejeitam-no, como se o "fazer" trouxesse em si todo o peso da culpa de existir — o respeitinho é muito lindo, e cá vamos cantando e rindo.

E rende o arrivismo, o carreirismo, a total ignorância do que significa a palavra "política", do que é a polis, do que devemos uns aos outros precisamente porque não nos devemos nada uns aos outros. A democracia dá trabalho, e nós, mais do que preguiçosos, somos burros. E não gostamos que nos lembrem isso. E aí ficamos maus. E depois passa-nos. É uma petinga de rabo na boca.

quinta-feira, setembro 24, 2009

caixinha de comentários

[para o meu mano Possante]


o amor é secundário.
é o que contrabalança a terra e o sangue e a fuligem que somos.
o amor não é animal. só um animal o pode sentir e rebelar-se contra o esmagamento.
oa animais são estúpidos como o amor.
o amor pode nunca interferir com a respiração.
ou com a alimentação.
ou com o sono.
o amor é secundário.
há quem diga que deus é amor, mas eu não acredito em deus.
a energia não tem amor, tem calor.
o amor é quente.
a distância é fria. pode estar frio o amor.
o amor é secundário.
não há mais nada.

terça-feira, setembro 22, 2009

segunda-feira, setembro 21, 2009

do frio

não sabe se lhe apetece.
o cinza espreita de um lado, do lado outro a luz ainda arroxeante, a colina iluminada por trás, recortada.
e o lugar nunca foi tão presente
ou as mãos tão quentes
e ela não sabe se lhe apetece.
não prende, não presa
há uma cova ainda só sua
um espaço vazio, um buraco negro uma rochosa antimatéria.
mais tem de generoso que de voraz pois se por respeito à vida recusa o sugar esperado
e lacrimeja.
não sabe se lhe apetece o calor.
o outono parece bem-vindo e traz em si o dedo apontado e dorido
— é tua a culpa do frio que eu sinto.

quinta-feira, setembro 17, 2009