domingo, setembro 27, 2009

ding dong, the witch is dead!




mortinha da silva. e também a maioria absoluta. a subida do CDS, espero, foram as direitas que perceberam que a Manela não ia lá e perdido por cem perdido por mil. o Bloco vai ter um grupo parlamentar catita. e as esquerdas a maioria. e agora, as desculpas, foram-se? é agora que começamos a aprender como se faz uma democracia parlamentar? ou ai ai ai que sem maioria não se consegue governar?


[suck on it, babes. voto útil... voto útil my ass. tentei poupar a câmara de Lx ao Carmona e arrependi-me assim que deitei o voto. mais deslizes desses, como dizia o outro, jamé!]

sábado, setembro 26, 2009

let the light shine through your torso




[No, baby, I'm nothing like your mother.]

dia de reflexão




[nunca cantei esta com o Foster, mas tenho pena...]

sexta-feira, setembro 25, 2009

e alguém diz que apenas PS e PSD têm "vocação" para governar ou Já passa da meia-noite mas eu mudo a hora do post ou Curto bué títulos compridos

E que até têm sido responsáveis a governar, apesar dos erros. E eu fico a pensar que é precisamente esta noção generalizada que os faz rodar no poder há trinta anos. E em trinta anos pouco ou nada mudou nas mãos desses dois partidos no que toca a características estruturais herdadas do estado novo. E ambos, com umas razoáveis diferenças que se prendem com algum capital humano que faz a diferença, têm-se mostrado bastante claramente como braços políticos de classe, muito mais do que servidores da causa pública. Temos uma democracia formal, mas uma oligarquia prática, e graças à acção quer de PS quer de PSD. Nem tudo é mau. Temos uma Constituição bastante avançada — comunista, diz o Portas e a gente ri-se — e temos a imensa vantagem geográfica de estarmos aqui e haver sempre um certo comboio dos tempos com uns lugarezitos para nós na última carruagem antes dos vagões de carga — também era melhor, que estivéssemos ainda pior do que estamos.

A população portuguesa... bom, é mesquinha, pequenina, invejosa. Mas também há outro tipo de português, geralmente perde-se na falta de esperança ou salva-se de Portugal e pira-se, como o Jorge de Sena, ou, os sortudos, acaba por contentar-se com os pequenos nadas que fazem a vida, e vai tentanto iluminar os seus pequenos mundos, sobretudo se tem suficientes privilégios económicos e sociais para isso. Mas muitos, quase todos, quando recebem o poder não sabem o que fazer com ele, e rejeitam-no, como se o "fazer" trouxesse em si todo o peso da culpa de existir — o respeitinho é muito lindo, e cá vamos cantando e rindo.

E rende o arrivismo, o carreirismo, a total ignorância do que significa a palavra "política", do que é a polis, do que devemos uns aos outros precisamente porque não nos devemos nada uns aos outros. A democracia dá trabalho, e nós, mais do que preguiçosos, somos burros. E não gostamos que nos lembrem isso. E aí ficamos maus. E depois passa-nos. É uma petinga de rabo na boca.

quinta-feira, setembro 24, 2009

caixinha de comentários

[para o meu mano Possante]


o amor é secundário.
é o que contrabalança a terra e o sangue e a fuligem que somos.
o amor não é animal. só um animal o pode sentir e rebelar-se contra o esmagamento.
oa animais são estúpidos como o amor.
o amor pode nunca interferir com a respiração.
ou com a alimentação.
ou com o sono.
o amor é secundário.
há quem diga que deus é amor, mas eu não acredito em deus.
a energia não tem amor, tem calor.
o amor é quente.
a distância é fria. pode estar frio o amor.
o amor é secundário.
não há mais nada.

terça-feira, setembro 22, 2009

segunda-feira, setembro 21, 2009

do frio

não sabe se lhe apetece.
o cinza espreita de um lado, do lado outro a luz ainda arroxeante, a colina iluminada por trás, recortada.
e o lugar nunca foi tão presente
ou as mãos tão quentes
e ela não sabe se lhe apetece.
não prende, não presa
há uma cova ainda só sua
um espaço vazio, um buraco negro uma rochosa antimatéria.
mais tem de generoso que de voraz pois se por respeito à vida recusa o sugar esperado
e lacrimeja.
não sabe se lhe apetece o calor.
o outono parece bem-vindo e traz em si o dedo apontado e dorido
— é tua a culpa do frio que eu sinto.

quinta-feira, setembro 17, 2009

frases estranhas que nos saem quando andamos perdidos nos aniversários:

Tenho a vida cheia de virgens.

a song outside my window

[pssst... ouve.]


Ninguém É Quem Queria Ser - Foge Foge Bandido



de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção

dúvida inocente

as visitas diárias a este blogue há muito que não ultrapassavam as sessenta, quando há vídeos jeitosos. nos últimos dias ultrapassaram as cem, coisa que já não acontecia há algum tempo [sobretudo desde que alguns amigos se meteram no google reader e abriram uma janela sobre a janela... ;)]. 134, foi a contagem das últimas vinte quatro horas.

terá a ver com uma certa recorrência na sequência Žižek?

ora deixa lá fazer render: foda.

pronto, por hoje já está.


adenda:
descobri outra que por certo é mais eficaz: conas.
agora sim, vou dormir descansadinha.

quarta-feira, setembro 16, 2009

hoje estou assim

com os tropeções na velocidade e tudo. com este ar trombudo de quem faz de conta que lhe custa o fígado estar ali e só sorri quando pega no banquinho e no violão para virar costas. vou, pela estrada que dá numa praia dourada, que dá num tal de fazer nada como a natureza mandou. e levo joana debaixo do braço, carregadinha de amor.
hoje acordei assim. com os metais, as cordas e os tropeções e tudo. e o banquinho.


a resultante

e diz-me alguém que o que ele resmunga parece ser uma resultante das vozes, uma terceira voz que só ele ouve. nunca tinha pensado nisto assim. e delicio-me nos meus próprios limites. boa noite.

ninguém pode sonhar por ti — díptico


santa catarina, setembro de 2009

dos rótulos

bicho-do-mato.
pespineta.
luz.
caso de talento.
actor.
perfomer.
esperto.
estúpido.
músico.
cantor.
artista.
sereno.
histérica [não há homens histéricos, pois não? ah, pois, há as bichas.]
sensível.
fufa.
brutamontes.
bem-comportado.
pornográfico.
sedutor.
louco.
homem.
puto.
mulher.
puta.
intelectual.
magro.
gordo.
pode ferir a sensibilidade dos espectadores.
retrógrado.
esquerdelho.
escadote.
anão.
comuna.
bicha.
freak.
fumar mata.
drogado.
careta.
conas.
existencialista.
neo-realista.
surrealista.




calhariz, setembro de 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

e depois ela disse:

— O que me fode é que isto continue a ser tudo sobre ti, uma vez que não deixa de ser sobre mim.

E depois calou-se um bocadinho. E então pontuou:

— Foda-se.



Porto, 12 de setembro de 2009

bleu — finale




Ainda que eu seja capaz de falar todas as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, as minhas palavras são como o badalar de um chocalho. Ainda que eu tenha o dom de falar em nome de Deus e possa conhecer os seus planos e saber tudo; ainda que eu tenha uma fé capaz de transportar montanhas, se não tiver amor, não presto para nada. Ainda que eu dê em esmolas tudo o que é meu; ainda que me deixe queimar vivo, se não tiver amor, isso de nada me serve.

O amor é paciente e prestável. Não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. O amor não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. O amor não se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se com a verdade. O amor suporta tudo, acredita sempre, espera sempre e sofre com paciência. O amor é eterno. As profecias desaparecem; as línguas acabam-se; a ciência passa. Pois, tanto as nossas profecias como a nossa ciência são imperfeitas. Quando chegar aquilo que é perfeito, tudo o que é imperfeito desaparece. Quando eu era criança, falava como uma criança, sentia como uma criança e pensava como uma criança. Depois tornei-me adulto e deixei o modo de ser de criança.

Agora, vemos as coisas como num espelho e de maneira confusa. Depois, vemo-las frente a frente. Agora, o meu conhecimento é imperfeito, mas depois vou conhecer como Deus me conhece a mim. Agora existem três coisas: fé, esperança e amor. Mas a mais importante é o amor.

primeira carta aos Coríntios — 13 [atribuída a Saulo de Tarso, aka São Paulo], Bíblia Sagrada, edição interconfessional em português corrente, Novo Testamento

picareta

what's so impressive about a diamond, except the mining?

choro, logo sobrevivo

No meio do filme, durante a visita à casa do falecido marido, Julie vê a sua velha criada a chorar; quando lhe pergunta porquê, esta responde: "Porque a senhora não está a chorar!" Este comentário, longe de ser acusador, mostra como a velha e fiel criada está consciente da profundidade do desespero de Julie. O seu choro não funciona como "choro enlatado" (como o das mulheres pagas pelos familiares do morto para o chorarem publicamente em seu nome). Julie encontra-se num estado de choque tal que não só a deixa incapaz de chorar, como inclusivamente impede que alguém chore em seu lugar. Azul não é, pois, um filme sobre o luto, mas acerca da criação das condições para o luto. Só no último plano do filme, Julie consegue começar a fazer o luto. É o que acontece muitas vezes com as crianças pequenas: quando começam a chorar, podemos ter a certeza de que o impacto traumático do choque desagradável que sofreram já passou e que já estão a regressar ao normal. Antes de conseguir fazer o luto, Julie vê-se "entre as duas mortes", morta, estando no entanto viva.

(...)

O dito arguto de Lacan de que o despertar para a realidade é uma fuga ao real encontrado no sonho aplica-se particularmente bem ao acto sexual: não sonhamos com foder quando não somos capazes de o fazer. Fodemos para iludir e sufocar o excesso do sonho que, de outro modo, nos submergiria.

(...)

No final do filme, Julie reconstrói o quadro fantasmático que lhe permite "domesticar" este Real em bruto. O escudo protector desta fantasia está muito bem representado pela janela através da qual a vemos chorar no último plano do filme. Deste modo, Azul não é um filme sobre o lento processo de recuperação da capacidade de enfrentar a realidade, para imergir na vida social, mas sim um filme sobre a construção de um ecrã protector entre o sujeito e o real em bruto.


Slavoj Žižek, "A Teologia Materialista de Krzysztof Kieślowski",
in Lacrimae Rerum, trad. Luís Leitão

domingo, setembro 13, 2009

ergo non

Na medida em que aceitarmos esta noção de relação sexual como referência absoluta, somos tentados a rescrever toda a história da filosofia moderna nos seguintes termos:
—Descartes: "Fodo, logo existo", isto é, só na actividade sexual intensa sinto a plenitude do meu ser (a resposta "descentradora" de Lacan a isto teria sido: "Fodo onde não existo, e não existo onde fodo", ou seja, não sou eu quem fode, mas "isso fode" em mim);
—Espinosa: Dentro do Absoluto enquanto Foda (
coitus sive natura), devemos distinguir, no mesmo sentido da distinção entre natura naturans e natura naturata, entre a penetração activa e o objecto fodido (há aqueles que fodem e os que são fodidos);
—Hume introduz aqui uma dúvida empirista: como sabemos se a foda, enquanto relação, existe? Só existem objectos cujos movimentos parecem coordenados;
—Resposta kantiana a esta crise: "as condições da possibilidade de foder são ao mesmo tempo as condições da possibilidade dos objectos [da] foda";
—Fichte radicaliza esta revolução kantiana: foder é uma actividade incondicional que se postula a si própria e que se divide em fodedor e objecto fodido, ou seja, é o próprio foder que pressupõe o seu objecto, o fodido;
—Hegel: "é crucial conceber o Foder não só como substância (o impulso substancial que nos subjuga), mas também como sujeito (como actividade reflexiva inserida no contexto do significado espiritual)";
—Marx: devemos regressar ao foder real e rejeitar a filosofice masturbatória idealista, ou seja, nos termos literais em que o expressou na Ideologia Alemã, a vida real está para a filosofia, assim como o sexo real está para a masturbação;
—Nietzsche: a Vontade é, na sua expressão mais radical, a Vontade de Foder, que culmina no Eterno Retorno do "quero mais", de uma foda que prossegue indefinidamente;
—Heidegger: do mesmo modo que a essência da tecnologia não é nada "tecnológica", a essência do foder não tem nada a ver com a foda enquanto simples actividade ôntica; ou melhor, "a essência do foder é o foder da própria Essência", isto é, não somos apenas nós, humanos, que fodemos a nossa compreensão da Essência, é a Essência que já está em si mesma fodida (inconsistente, retraída, errante);
—e, finalmente, a intuição de como a própria Essência está fodida, leva-nos à expressão de Lacan "a relação sexual não existe".

Slavoj Žižek, nota 108 ao capítulo "A Teologia Materialista de Krzysztof Kieślowski", in
Lacrimae Rerum, trad. Luís Leitão



Carmo, hoje de setembro de 2009


ou...


"Viver é foder."

João Ubaldo Ribeiro, in A Casa dos Budas Ditosos

sábado, setembro 12, 2009

jigsaw


Jigsaw Falling Into Place - Radiohead


há melodias atípicas que quando sugerem um fim o fintam e outra e outra vez, qual escher subindo e descendo escadarias enquanto está parado num só degrau. mas vai haver um momento, tem de haver um momento, em que pára de vez, em que tem piedade e ou parte em vírus para outro hospedeiro ou abre um fosso sob esse degrau inesperado. mãos, pés e o coração tombam lá para dentro ou são sugados, desmaterializados.
sobretudo os pés.
quando deparo com a escadaria de onde creio fugir a cada tentativa inglória, penso que não te espero. espero-Me.
não consigo fazer melhor. e às vezes parece que não há como mudar o trajecto, porque o meu mapa ficou nas tuas mãos. mas algo se ganha mesmo quando nada se transforma. e a cada vez que me descubro como o meu pequeno saco de papel, a ansiedade fica com falta de ar. it's just my jigsaw falling into place, right into my hands.

quinta-feira, setembro 10, 2009

a Incrível Tasca Móvel convoca Lisboa



esta noite, a partir das 21h30, os O'questrada tomam conta do Martim Moniz. Ou seja, não só da cidade, mas do mundo inteiro.

cara de bolacha


namouche, setembro de 2009
fotografia de Kristin Grace Eriksson

and in the end...

... the love you take is equal to the love you make.


terça-feira, setembro 08, 2009

entrecortado


Marc Chagall, Dança dos ciganos
sketch para o bailado
Aleko



- Sou. Tu sabes.
- Eu sei. Mas isto já não é acerca do que tu és, é acerca do que eu sou. O que tu és, é lá contigo.
- Então vou dançar.

(silêncio)

- Fazes bem.