quinta-feira, junho 04, 2009

flash

pena que nunca te tenha perguntado se sabes tudo, ou apenas as coisas que te apavora não saber.


eu sempre achei que isto tinha imenso jazz lá dentro





... e a Cláudia provou que era verdade.



[e lá veio a lagrimita, mais até do que com o Thom Yorke... esta canção é tramada.]

e já somos para cima de cinco mil

Mas há quem insista que a igualdade no acesso ao casamento civil é um tema fracturante. Opinião que, digo eu, só pode advir de um traumatismo craniano...

Não há nada mais fracturante que a discriminação. Subscrevam. Divulguem. Fracturem o preconceito e a tacanhez.

quarta-feira, junho 03, 2009

o espírito de missão tem que se lhe ria — ou Buda anda de metro




Bom dia!

jazz @ esml [ou o regresso da galinha]

Pronto, a miúda das três da tarde de quinta é minha aluna e tem feito este ano um caminho que me alegra, porque é boa e porque tem alma de exploradora. O resto do pessoal é bem jeitoso, também. E apesar do Win Butler dizer que o jazz está mais morto do que o rock, eu continuo a ouvir Arcade Fire assim como a Cláudia Franco cantora de jazz em início de percurso continua a ouvir e a cantar Radiohead. E é à borla. E o edifício do Carrilho da Graça é bem interessante. E o meu coordenador de curso pediu-nos a todos para divulgar e eu sou uma professora diligente.

Apareçam. E espalhem. O campus de Benfica fica ali à mão de semear, entre o Fonte Nova e a circular.


I Festival

J A Z Z @ E S M L

4 e 5 Junho



PROGRAMA

QUINTA 4 DE JUNHO

15h - Cláudia Franco "Radiohead"
16h - Combo prof. Afonso Pais
17h - Ensemble de Jazz da ESML

18h - Diogo Moreira "Miles Ahead"
19h - Combo prof. Bruno Santos

SEXTA 5 DE JUNHO

15h - Combo prof. João Moreira
16h - Combo prof. Gonçalo Marques
17h30 - Big Band da Escola do Hot Clube de Portugal
19h - Combo da Escola do Hot Clube de Portugal


Campus de Benfica do IPL (ao pé do C.C. Fonte Nova)
Escola Superior de Música de Lisboa
Instituto Politécnico de Lisboa

a mil...

...mas em casa. sem tempo, mas em casa. entre palavras e corpos à solta no hospício, desta vez literalmente, mas em casa. cena, mas em casa pela primeira vez desde há três anos. acho que ainda estou a habituar-me a esta sensação de deslocamento. ou descolamento. em adaptação permanente, como sempre. mas em casa. estava mesmo a precisar. descentralizar. jogar polo com os crocodilos. cantar sóis agudos e cair dos patins.

terça-feira, junho 02, 2009

nomes feios

"I don't know much about psychoanalysis, but this must be a dirty picture..."




VLADIMIR &
ESTRAGON
[turning simultaneously]: Do you—

VLADIMIR: Oh, pardon!

ESTRAGON: Carry on.

VLADIMIR: No no, after you.

ESTRAGON: No no, you first.

VLADIMIR: I interrupted you.

ESTRAGON: On the contrary.

they glare at each other angrily

VLADIMIR: Ceremonious ape!

ESTRAGON: Punctilious pig!

VLADIMIR: Finish your phrase, I tell you!

ESTRAGON: Finish your
own!

silence. they draw closer, halt.


VLADIMIR: Moron!

ESTRAGON: That's the idea, let's abuse each other.

they turn, move apart, turn again and face each other.


VLADIMIR: Moron!

ESTRAGON: Vermin!

VLADIMIR: Abortion!

ESTRAGON: Morpion!

VLADIMIR: Sewer-rat!

ESTRAGON: Curate!

VLADIMIR: Cretin!

ESTRAGON
[with finality]: Critic!

VLADIMIR: Oh!

he wilts, vanquished, and turns away.



Samuel Beckett,
Waiting for Godot

segunda-feira, junho 01, 2009

espelho invertido


The Eraser - Thom Yorke


é o mesmo, sim
a mesma janela
a linha do comboio
o cobertor
era previsível no humor torcido que me persegue.
e mais pequeno, o mesmo
as paredes tão mais próximas da cama
tudo a uma escala fora da memória
a realidade é sempre mais tangível.

e o coração não disparou com o descerrar da porta
pausa
tira os olhos do chão e agradece
como seria se esta porta se tivesse mantido fechada?
ficaria a esmagadora interrogação
uma eternidade de corredor.

as horas de sono
as horas de conversa
as horas de fumo
as horas de riso e de música
o super-homem invertido que arrota kryptonite.
diz-me, foi aqui?

pausa
sorriso
foi.
não.

não foi aqui
não era aqui que tu falavas e eu já não te escutava
e eu só olhava para as tuas mãos e eram feias
tu continuavas bonito
mas eram tão feias as tuas mãos
são.
mas não foi aqui que as vi assim
este foi apenas o sítio em que incomeçámos.

não
isto nunca começou
é uma coisa para sempre incomeçada.





e nem sequer é bonita.



Guimarães, Maio de 2009

domingo, maio 31, 2009

o texto que nos une

MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil

A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.






podem subscrevê-lo AQUI

fora de campo 2.0


Carrion Suite - Andrew Bird





Eram já horas, mais que horas. Este uivo, ouvira-o já, este uivo do vento na paragem do autocarro, longe, longe de ser novo, longe de ser límpido. Eram, já horas, pensou. E enquanto observava a pequena gota de água que se desmanchava lentamente numa só pedra, sem cruzar os pequenos leitos que a ligavam a outras semelhantes, a lua mudou-se para dentro. O veículo parou à sua frente. E ela subiu.


Aveiro, Maio de 2009

sábado, maio 30, 2009

quem precisa dos originais?...

para a minha formiga




... que me ficou a dever uma mms na rambla com o pássaro de Illinois. Ao teu nervous tick respondo-te com esta pergunta. só tenho pena que o vídeo não comece mais cedo, porque toda a conversa anterior sobre ser ou não ser easy going foi deliciosa.


Troca de cromos, é o que os putos chamam a isto. Deixa lastro, eu disse-te. ;)

isto não passa de vulgar teatro

... e não tarda os tambores rufam pela última noite. com um quarto do espaço com que nasceram e o triplo da carne. despedida boa, apesar da alegre sauna proporcionada pelos figurinos de inverno no Maio algarvio. adiante. venham os palíndromos e os patins verdes.

silêncio





parece que se descobriram coisas novas, cenas históricas e tal. mas eles eram feios. e, palpita-me, mais barulhentos. quem precisa dos originais quando temos... isto?

sexta-feira, maio 29, 2009

a beleza deixa lastro

matéria escura em pães doces. noites e noites cheias de grilos. e galochas. e guarda-chuvas. matéria escura provada. pães doces nos olhos.





[acredite-se ou não, consigo perceber a minha voz naquele "yeah!...", e não fui eu que filmei. só que me lembro bem da luz com que saíu, e reconheço-a — ok, e estou habituada a perceber o meu timbre no meio de quarenta outras vozes, também ajuda. mas a beleza deixa lastro. se deixa. yeeeahhh.]

segunda-feira, maio 25, 2009

beauty






É um filme mudo, só que cheio de música e de vozes. Contradição consonante com uma banda dura e lírica, you hit it like a two year old, hit it hard! Para me esquecer que o Bird está aqui mesmo ao lado e eu não estou lá.

fiquei tão embevecida com os olhos dele...

... e com o facto dele ter juntado o Imitosis com o Cataracts [cá pelas minhas razões...] e de todas as canções serem novas sendo as mesmas [não é qualquer um que se reinventa desta forma aparentemente tão espontânea], com o grão e a beleza que se lhe desprendem das mãos e da voz, com o ele ter-me dito, a rir, que teria tocado o Section 8 City se eu tivesse berrado por ela como me apeteceu nos encores, com a facilidade da conversa...


Why? - Andrew Bird



... que me esqueci de o pedir em casamento.

oniroid


aveiro, Maio de 2009


— Ah, estás a fazer-me uma festa. Pensei que tivesse alguma coisa na cara.
— És um bicho, tu...
— Então estamos bem um para o outro, tu não és outra coisa.
— Pois, mas se calhar dois bichos não dá bom resultado. Se calhar um bicho precisa de um domador...
— Se calhar esta metáfora é estúpida.

o meu feicebuque importa os posts do Blue!, portanto...

... hoje o Blue! importa o meu estado do feicebuque.

Joana Manuel esteve uns minutos à conversa com o Andrew Bird, obviamente só disse baboseiras, está feliz como uma criança e não pretende lavar as mãos tão cedo.

sábado, maio 23, 2009

quarta-feira, maio 20, 2009

pássaro pousado em três


Cataracts - Andrew Bird


milk that sours is promptly spat,light will fill our eyes like cats
cataracts.







Guimarães, Maio de 2009

boy, if life were only like this...

terça-feira, maio 19, 2009

a conta-dias




digam lá, já estavam com saudades...

segunda-feira, maio 18, 2009

os profundos crimes quotidianos...

... são tantas vezes estatais, oficiais, institucionais. Hoje a biologia foi rainha. Ver uma criança de seis anos berrar e espernear enquanto em público a arrancam aos pais que a criaram desde os dezassete meses, porque um tribunal decidiu que a biologia é soberana e a mãe biológica pode voltar com ela para a Rússia apenas porque lhe apetece, deixa-me com vontade de arrancar os olhos a alguém.

Mesmo que fosse esta a decisão final, alguém me explica onde está o interesse da criança na violência deste circo? Onde está a preparação para o choque de ser arrancada do seu ambiente familiar como se fosse uma planta que se tira de um vaso e se envia em encomenda aérea para uma casa a milhares de quilómetros de distância? É preciso ter negado totalmente a infância para não recordar os terrores internos que uma situação destas pode provocar num ser de seis anos. É preciso ser muito pequeno. Não há desculpa para esta violência. A justiça foi criminosa. Mas não há assistente social que a possa impedir de tomar decisões arbitrárias quanto à felicidade alheia. Afinal sempre há alguma coisa que se sobrepõe à biologia.

Fiquei enjoada com isto. Trocam-se duas letras e dá enojada.

domingo, maio 17, 2009

pelo menos a três metros do chão



del barrio al puerto.


María de Buenos Aires, TNSJ 2006
enc. João Henriques
fotografia de João Tuna