pelo contrário. eu até me controlo em certas coisas, e se vejo um espectáculo de que não gosto e não há nada de construtivo que possa dizer, prefiro calar-me, é essa a escolha-padrão.
mas há duas coisas que eu não consigo não dizer. uma cá perto, outra também, pela internet.
1. um musical não é uma revista. o som que se diz não pode ter o reverb daquele que se canta [sobretudo quando se canta com reverb até enjoar]. e pois, ele é meu amigo, mas só me diverti a ver o Pedro Pernas e é essa a verdade. um musical não é uma revista [já disse isto? não me lembro...], um gag banal não pode durar minutos intermináveis e a economia de tempo é fulcral para um espectáculo — o diabo é, sempre foi e sempre será, o aborrecimento. e um musical — sobretudo um bom musical — não é uma revista [já disse?]. e as mamas da Rita Pereira não chegam para aguentar duas horas e tal de tiros ao lado. ah, e um musical não é uma revista, ok? [suspiro] hoje passei a tarde no Coliseu, quando ela me seria preciosa para tantas outras coisas. Ai Pernas, Pernas, só tu...
2. gosto do fenómeno Susan Boyle, mas não pelas razões generalizadas entre os frequentadores do youtube. miss Boyle parece-me muito digna de simpatia. mas é a prova viva de que as tiradas do nosso Fernando Eldoro nos ensaios da av. de Berna eram acertadíssimas. o fenómeno Boyle é a encarnação do famoso "bbbbmas bbbvozes bonitas há muitas na apanha da fruta". desculpem lá, mas Susan Boyle não é uma grande cantora. é um instrumento, impressionante não o nego, mas que, ciente das suas capacidades, se exibe e faz circo baseado no decibel. não há frase, não há imagem, não há nada de artístico, só há cambalhotas da voz. vou ser simpática, pronto: considerando que é autodidacta, não é má ginasta. e conhece minimamente o instrumento que tem — repito, excelente. querem falar socialmente? falemos então socialmente, assumidamente. é possível que cresça, artisticamente? sim, a idade não é necessariamente impedimento. mas susan boyle pode ser um fenómeno social, é sem dúvida um fenómeno mediático, não é um fenómeno musical nem tão pouco vocal. tenham lá paciência. vozes bonitas há muitas na apanha da fruta. não é isso que faz um cantor. que pode surgir na apanha da fruta ou na fila do subsídio de desemprego algures na Escócia. mas não é o caso. desculpem lá ser estraga-festas...