domingo, maio 10, 2009

bem.


sto.amaro de oeiras
maio de 2009


não será. e é. agulha. pica-se na lua
que vazzza
lenta. não será. foi. a planta é séria. secou ao sol.
bem-me-quer.

sábado, maio 09, 2009

still moonie...





... and with lots of spare-ohs.

sexta-feira, maio 08, 2009

o melhor emprego do mundo




porque hoje passei grande parte do dia naquela banlieue que se enche dos meus dias passados, onde os sons se transformam tanto na reprodução. porque odeio o vincent moon do fundo do meu coraçãozinho. e porque alguém num dia escuro me deu para a mão um cd dos Beirut dizendo, toma, ouve, é música para nos fazer sentir bem, só para me ouvir retorquir entre lágrimas, não é nada, não percebeste nada do que estiveste a ouvir! em troca da insolência, recebi um abraço. e beirut é música para nos fazer sentir bem, pois, bem a sério não bem farsola, no chiaro-oscuro, na fanfarra cansada, no ritmo da melancolia, nas palavras sempre claras, sempre cheias de sombras. à la banlieue, santé!

da hipersensibilidade meteorológica — adenda




Bird por Moon.

O Vincent Moon deve ser, no momento, o gajo que eu mais invejo à face da terra. Este sim, tem o melhor emprego do mundo. Entre os Arcade Fire, os Beirut e o Andrew Bird, só os National lhe podem dar desculpa para andar chateado. Talk about being IN the scene...

da hipersensibilidade astro-meteorológica [ou pois, elas não matam...]

mas uma manhã cinzenta depois de uma noite de lua cheia mói, ah se mói. ainda para mais se passada entre caves da bela velha e salas sem luz do paço dos arcos. há mesmo dias de pacote completo, que só se salvam no vermelho: afias os cornos, focas-te e acometes.

quarta-feira, maio 06, 2009

lull — de lula




... watching it fall. and whispering,
hey, don't you forget your glasses.

terça-feira, maio 05, 2009

os paliativos que vão c'os porcos...

Informem-se AQUI, ou em qualquer outro media que não ignore as origens em proveito do fogo de artifício, e depois, em vez de irem a correr comprar o Tamiflu da família Rumsfeld, assinem antes esta PETIÇÃO. Parece-me mais consequente que qualquer vacina.

segunda-feira, maio 04, 2009

oquestrada


Qualquer Coisa Que Me Anima... - Oquestrada



caxias, 1 de Maio de 2009


já cá cantam. a minha vontade me seduza... o cantinho, claro, é ati de mon oncle tati.

in and out

quando o arremedo de caniche do andar de baixo vem outra vez berrar para a janela que não gosta do barulho do estendal, no seu ladrar estridente, agressivo, histérico, despropositado e constante, e a respectiva dona [de quem por sinal se gosta muito, apesar do bicho] vem pedir pela enésima vez que desculpemos o animal que é chato como a potassa, em vez de


— Não se preocupe, quando ele morrer até vou sentir a falta disto.


diga-se


— Tudo bem, a gente cá se entende.



...

sobretudo se se tiver fantasias com envenenamentos.

when you cut into the present, the future leaks out.

Cut-Ups from Matti Niinimäki on Vimeo.





... oh hell, yes. sometimes it seems there's nothing else to the very puzzle of life.


[obrigada pela prenda. :)]

lisboa


parque, 2 de Maio de 2009
fotografia de Teresa Q.



habituar-me a esta estranheza de mel. estou aqui. não me vou embora amanhã, daqui a pouco, daqui a uns dias. a mala desfeita para arrumar e não apenas para o inexorável pulsar da lavandaria. alguns cantos estão refarejados, outros sê-lo-ão amanhã, de outros passo propositadamente ao lado, até que faça sentido deixar de ignorá-los. a luz está doce. carinhosa. afaga os cabelos, as curvas dos lábios, as rugas, as tardes de ar aberto, os pulos no asfalto e os sossegos na relva. regresso ao livro para sempre inacabado. eu.

domingo, maio 03, 2009

o espirro da semana

tinha uns recuerdos mexicanos lá no aparador da sala, mas agora já foi tudo c'os porcos.

sexta-feira, maio 01, 2009

artista residente




é só pulsar, é só ritmo, é só onda, linha e cor. e luz. if this is not a genius, I don't know one.

quinta-feira, abril 30, 2009

the little differences

não sou eu que remexo as coisas, elas remexem-se em mim.

remexo-me no escuro e pergunto...


porto, março de 2009



...
será que me estou a habituar a sonhar o vácuo?

do you reason with your condition?




cinquenta e sete dólares, um telemóvel, e olhos por dentro e para fora.
prémio para melhor filme num dos maiores festivais de curtas do mundo, o Tropfest NY 2008.
e o cérebro vai cantando as palavras que não ouve, as palavras que se cosem entre duas cidades.
por Jason van Genderen (realização), Shane Emmett (produção) e John Roy (música).

precários de todos os países, uni-vos!

Amanhã, a partir do meio-dia, o precariado dá luta.

Em Lisboa:



e no Porto:

quarta-feira, abril 29, 2009

vá, o tamiflu mata o papão...

então parece que é desta que se livram do stock que compraram à maluca na altura da histeria da gripe das aves, não é verdade? cedo ou tarde, chegam os lucros do medo, é o que vale... Recorre-me na cabeça aquele trecho do Borges sobre o Billy the Kid: "o quase menino que ao morrer aos vinte e um anos devia à justiça vinte e uma mortes — 'sem contar os mexicanos'."



[onde é que eu já vi isto, óinc...?]



everybody says that living is easy

tinha a minha secreta esperança no Sax and Violins [afinal era Eno à mistura, que rico par de jarras...]. mas pronto, mesmo sem isso, sem Psycho Killer, sem Naïve Melody, foi brilhante e eu nem dei pela falta de nada. o rei da subtileza, da inteligência levada a cúmulo da estupidez, das afinações mínimas e do aparente laisser faire com que tudo acontece. mestre, é o nome que lhe fica bem. e na boa tradição do budismo, sempre o foi, não é da idade. que, como se sabe, é a mesma desde que o próprio descobriu o sentido da expressão "stop making sense".



david byrne — coliseu dos recreios, Lisboa, 28 de Abril 2009 - ajmm

terça-feira, abril 28, 2009

afinal...

... a mão sempre esteve fechada. só não se fechava em punho, em força, em dona. apenas em amor. em carícia. em algum medo. arrumar a vida pode ser uma experiência reveladora. e salvadora. e eu sou bem mais corajosa do que às vezes penso... por isso me pico. por isso às vezes faz sangue.



Lisboa, outubro de 2007

o actor cirúrgico




— Ah, you know, I just love all your wild characters, Peter, but backstage here you can just relax and be yourself.
— But that, you see my dear Kermitt, would be altogether impossible. I could never be myself.
— Never yourself?
— No. You see... there is no me, I do not exist.
— I... I... I beg your pardon...?
— There used to be a me... but I had it surgically removed.

clarim de boas vindas, com Puto gatos e Dão

segunda-feira, abril 27, 2009

home...

is where I want to be.

percurso





caminho.
rua.
estrada.
foco.
vento.
tempo.

casa.

domingo, abril 26, 2009

ontem...

houve grândola e chuva de cravos e finalmente a Dri na tribuna.
hoje há ânsia, sem tristeza pelo até já.
amanhã há casa. a estrada e casa.

e eu sou já feliz por antecipação.
e sinto já as brechas que ficam, as faltas que vou sentir.
as saudades dos irmãos.
se isto não é riqueza...

perdoem-me, isto não são maus fígados...

pelo contrário. eu até me controlo em certas coisas, e se vejo um espectáculo de que não gosto e não há nada de construtivo que possa dizer, prefiro calar-me, é essa a escolha-padrão.

mas há duas coisas que eu não consigo não dizer. uma cá perto, outra também, pela internet.

1. um musical não é uma revista. o som que se diz não pode ter o reverb daquele que se canta [sobretudo quando se canta com reverb até enjoar]. e pois, ele é meu amigo, mas só me diverti a ver o Pedro Pernas e é essa a verdade. um musical não é uma revista [já disse isto? não me lembro...], um gag banal não pode durar minutos intermináveis e a economia de tempo é fulcral para um espectáculo — o diabo é, sempre foi e sempre será, o aborrecimento. e um musical — sobretudo um bom musical — não é uma revista [já disse?]. e as mamas da Rita Pereira não chegam para aguentar duas horas e tal de tiros ao lado. ah, e um musical não é uma revista, ok? [suspiro] hoje passei a tarde no Coliseu, quando ela me seria preciosa para tantas outras coisas. Ai Pernas, Pernas, só tu...


2. gosto do fenómeno Susan Boyle, mas não pelas razões generalizadas entre os frequentadores do youtube. miss Boyle parece-me muito digna de simpatia. mas é a prova viva de que as tiradas do nosso Fernando Eldoro nos ensaios da av. de Berna eram acertadíssimas. o fenómeno Boyle é a encarnação do famoso "bbbbmas bbbvozes bonitas há muitas na apanha da fruta". desculpem lá, mas Susan Boyle não é uma grande cantora. é um instrumento, impressionante não o nego, mas que, ciente das suas capacidades, se exibe e faz circo baseado no decibel. não há frase, não há imagem, não há nada de artístico, só há cambalhotas da voz. vou ser simpática, pronto: considerando que é autodidacta, não é má ginasta. e conhece minimamente o instrumento que tem — repito, excelente. querem falar socialmente? falemos então socialmente, assumidamente. é possível que cresça, artisticamente? sim, a idade não é necessariamente impedimento. mas susan boyle pode ser um fenómeno social, é sem dúvida um fenómeno mediático, não é um fenómeno musical nem tão pouco vocal. tenham lá paciência. vozes bonitas há muitas na apanha da fruta. não é isso que faz um cantor. que pode surgir na apanha da fruta ou na fila do subsídio de desemprego algures na Escócia. mas não é o caso. desculpem lá ser estraga-festas...

sábado, abril 25, 2009

bom dia [escuridão nunca mais]

hoje houve tambores com fogo de artifício, irmanadas por momentos duas revoluções assim a modos que falhadas. uma menos vermelha que a outra, à conta dos litros de sangue poupados. o poeta foi-se, com céu de sobra por dentro dos seus olhos. e a poesia? está na rua?



já Gaia
Março de 2009





Era Um Redondo Vocábulo - José Afonso