quarta-feira, abril 22, 2009

filtro


Porto, entre Baal e Tambores
hoje de Abril de 2009


[... let me sleep.]



You Woke Me Up! - Andrew Bird

terça-feira, abril 21, 2009

a uma semana de distância.

divergências significantes: as homenagens

o pior que se pode fazer a um génio é matá-lo por inanição.

segunda-feira, abril 20, 2009

bom... também estou um bocadinho por aqui...

... mas isto é o mal dos quizzes do feicebuque.







mas é uma senhora, pense-se o que se pensar da música [que tem os seus momentos...]. her big strong hand has lifted her to her higher ground.

hoje estou por aqui.

casa é para a semana.
mais ou menos de vez. como sempre mais ou menos.
hoje risco os dias na parede.
e abro a mala para ir guardando o que é supérfluo para uma última semana em que tempo é palavra
que só no palco faz sentido.

terça que vem hei-de estar nas portas de Santo Antão, a ouver o Byrne.
para regressar feliz para a minha casa, com a minha luz pela frente.
para parar numa lágrima o passado.




Sonhar Durante O Fado - Camané



[estou cansada de sonhar...]

sábado, abril 18, 2009

emba[a]lada

houve aquele 2005. a consciência de camisa e bigodinho de feltro seguida do nerone. e depois a elvira de armadura, os fatos cinzentos do reset. e depois o ferrante de cartola. mas com esta eu não contava. só que ela veio. e eu espetei-lhe os dentes, e nos dentes espichou como uma laranja quando é trincada como se fosse amor. estou confortável nesta pele. quero pagar. nu, ao sol, debaixo do grande céu. este excerto já aqui esteve, na noite em que saí do cinema assolapada. eu não pensei nela, neste processo, pensei em homens, nos meus homens, e no que eles não sabem ser de Baal. mas hoje o paulo, que esteve ao meu lado nessa noite assolapada, chama-me, com um grande sorriso, "baal dylan", e só aí caí em mim. e percebi que nem sempre o material que dá espinha ao nosso trabalho está claramente na parte da frente da nossa cabeça. ainda não comprei o filme, mas já vi este clip do youtube vezes que nem conto. eu não sabia, mas a adoração por miss blanchett acendeu-me umas quantas candeias no caminho.




[ando rebentada, feita num caco, sem tempo para cortar as unhas, rebocaram-me o carro hoje, dia de estreia, e a última vez foi há um mês, no dia de estreia [just because you're paranoid, doesn't mean they're not out to get you...]. faço dois espectáculos e três personagens por dia, nos intervalos como, durmo, fumo cigarros e faço testes estúpidos no facebook. estou duas fotografias atrasada. tenho saudades dos meus gatos e do meu Puto, e quando me for, em breve, terei saudades dos meus Gatos e do meu puto. e adoro a minha vida.]

sexta-feira, abril 17, 2009

não tão forte.

ainda estou a ouvir a chuva.

todos os vícios têm uma utilidade qualquer, só o homem que os pratica é que não serve para nada.

É uma leitura muito encenada.
É um texto-menir. É uma adaptação especialmente boa.
É um elefante com o yin para um lado e o yang para o outro e a tromba no meio.
É uma pequena catarse para mim, mas isso ninguém precisa de saber.
E é provavelmente a única oportunidade que terei de fazer um papel que o Mário Viegas já fez.
Até à véspera da revolução, sou o yin de Baal à tarde e o Yang de Auguste à noite. Façam o favor de entrar na casa das feras.






de
Bertolt Brecht
texto
Yvette K. Centeno
direcção
Nuno M Cardoso
interpretação
Emília Silvestre, Fernando Moreira, Joana Manuel, João Castro, Jorge Mota, Luís Araújo, Marta Freitas, Pedro Almendra, Pedro Frias, Pedro Jorge Ribeiro, Sara Carinhas
de 17 a 24 de Abril
terça a sábado, às 15h

o poder...

... dos pequenos gestos.



camarim 8
hoje de Março de 2009



têm sido assim, os meus dias.
por cada perda, um pequeno ramo de ganhos.
por cada hora sem a luz do sol, anos-luz percorridos
degustados.
meus.

bons.
eus.

e nós. muitos nós.
escorregadios para os outros.
rochas aqui.






you don't need a weather man to know which way the wind blows.

quinta-feira, abril 16, 2009

now, really... how can I stop?...

é que há coisas que fazem demasiado sentido para parar. beleza é beleza. há-que dar-lhe a atenção que merece.


quarta-feira, abril 15, 2009

duas semanas até casa

até ao cheiro das tílias. estou demasiado cansada. mas não é mau. sinto-me — espanto dos espantos — assim.



Tenuousness - Andrew Bird

segunda-feira, abril 13, 2009

domingo, abril 12, 2009

a gentle reminder




[I would ask you, but I've got no distance left to run.]

divergências significantes: o valor

Nós somos os parasitas, os últimos seres que não são servos, como Baal e Karamazov entre nós. Quanto vale um poema? Quatro camisas, um pão, meia vaca leiteira? Não fazemos mercadoria, só fazemos coisas para oferecer.

Bertolt Brecht, Diário — 1920

sábado, abril 11, 2009

emba[a]lsamada

talvez um dia te dissesse a verdade. talvez um dia pudesse sonhar a tua pele de olhos abertos. talvez um dia me ensinasses a aprender. talvez um dia percebesses que não sou especialmente trágica nem especialmente cómica, procuro apenas a seriedade de todos os animais. mas levei as mãos ao pescoço. estava farta. como ele.

sexta-feira, abril 10, 2009

a chuva parou

já não há cães e gatos a cair do céu.
respiro.
passas.
e eu não me volto.



Porto, hoje de Abril de 2009





The Water Jet Cilice - Andrew Bird
[pois, o Bird. eu sei, isto é um exagero, mas paixão é paixão, quem nunca empacou num artista durante uns tempos que atire a primeira pedra. ando ouvi-lo em repeat forever, como diria a minha mulher, e se o post não é sobre ele, invariavelmente vem a canção certa no momento certo. é bom.]

quarta-feira, abril 08, 2009

hélice


Porto, 6 de Abril de 2009
[bem cedinho]

Lançar os restos à hélice. Se não se extirpa do ar este silêncio, que se desfaça e se lance no vento. Sai-me da pele, pelo menos. A lua está quase cheia. Deveria ser nova, mas não nos entendemos assim tão bem. Anda lá vá, eu chego para ti. It took a calculated blow to the head. But I did it.



Oh No - Andrew Bird

In the salsify mains of what was thought but unsaid/ All the calcified arhythmitists were doing the math/ It would take a calculated blow to the head/ To light the eyes of all the harmless sociopaths/ Oh arm and arm we are the harmless sociopaths/ Calcium mines were buried deep in your chest.


[e claro, quando se tem um i-pod novo que permite meter mais música sem decidir o que apagar — decisions, decisions, decisions, off with them! — torna-se mais fácil enfrentar a lua, armada de garganta e ritmo]

segunda-feira, abril 06, 2009

até há coisas em que nós três nos damos bem...




... quando pára a música é que vêm os engulhos ao de cima. viver todos os dias cansa. por isso hoje decidi ver apenas a vida passar. e quase sem dar por ela, houve uns quantos eixos que se recalibraram na rotação. I'll just keep my little head from falling in the snow.

domingo, abril 05, 2009

para as minhas irmãs [o que inclui uma boa meia-dúzia de homens]




este homem dá cabo de mim. falha uma, falha duas, e quando engrena a beleza é tanta que nem apetece dizer mais nada. senão que é óbvio que é um nerd, só podia ser um nerd. Dylan por Bird. quem disse que não se pode ter tudo?

[dei-me bem. mas o importante para a lição (se é que há uma) não foi o ter-me dado bem. foram mesmo os 1715 km.]

Essas pessoas existem. as pessoas que não dão trabalho. com quem tudo é simples. com as quais estar numa relação não é ser um entertainer, as pessoas que aproveitam tudo o que tu tens para dar, que não desperdiçam nada, que ainda te ensinam a dar mais e a receber mais e melhor, que se abrem e te fazem abrir, que não te querem aos pedaços, só o corpo, só a cabeça, que te amam como um todo, essas pessoas existem e não são para toda a gente.

essas pessoas estão reservadas para as pessoas que amam como tu.

de braços abertos.







alguém, há dois dias, escreveu isto para mim. alguém que sabe que não ser ninguém é muito mais difícil do que ser o que é. alguém com todos os sentidos de sentinela, sem hierarquia. alguém que aterrou há pouco tempo na minha vida — a brincar a brincar, já lá vão uns meses largos —, mas que parece ter tido sempre nela um lugar reservado. um lugar que estava vazio, portanto. alguém que não precisa que eu lhe diga para que serve o amor. 1715 km já o fizeram.


[obrigada, puto.]

sexta-feira, abril 03, 2009

primeiro acto

hoje voltei a sentir prazer. foda-se, o que me custaram os últimos dois espectáculos, o que eu não queria estar onde estava. saíu-me tudo do pelo. mas saíu. sobrevivi, e bem, atrevo-me a pensar. e hoje, de repente, estava no melhor lugar do mundo, a viver verdadeiramente sob reais circunstâncias imaginárias, a deixar-me ir feliz. hoje não me custou o fígado a leveza silenciosa que o primeiro acto me pede. e bom, depois da polaroid da puta vermelha acabada, aqui fica a minha vitoriana criada, com uma predilecção por Beethoven e bons charutos. e por jornalistas míopes de cabelo grisalho. um docinho, uma prenda que o excelentíssimo senhor Carinhas me deu. e a prova de que um papel não se mede às linhas de texto.


quarta-feira, abril 01, 2009

unidade de lugar


os meus fins-de-semana começam a meter-me medo. só no palco é que o fim da peça é mau, mas conhecido. cá fora as coisas andam um bocado desorientadas, desfocadas, encavalitadas umas nas outras, não há descanso. não há descanso. depois chego à cama e o corpo bem quer levar a cabeça de arrasto. mas a cabra tem cá um apego à independência...

e no entanto, hoje apetecia-me estar em todo o lado menos ali. há dias em que o que mais se ama é, só pode ser, a maior tortura. há dias em que 300 km são anos-luz.

ainda assim, feliz dia mundial do teatro, malta. é hoje, não é?

terça-feira, março 31, 2009

fiery crash [para ti.]


Porto, 21 de Março de 2009


[pela frente ou por detrás do espelho, não tenho medo. tenho aqui qualquer coisa. está em mim, aconchega-se. t(r)eme pela tua tristeza, mas afaga-te à distância e sossega-se no escuro onde te recorda. há abraços longos demais para os dias. até já. este azul não é reflexo. é matéria.]




Fiery Crash - Andrew Bird