domingo, março 15, 2009

joalharia de precisão

morning bells


Life On Mars - Yann Tiersen & The Divine Comedy


tu continuas velho. e eu não quero envelhecer. só quero crescer, mesmo. in the end, it's a god awful small affair. and yet...

sexta-feira, março 13, 2009

há noites...

... em que lutar contra o cansaço é a melhor coisa do mundo. Coisa que me custa quando não estou no Porto é esta perda estúpida de não ter Serralves nas probabilidades do fim de um dia de trabalho. Ou numa curta folga de preguiça e vida.





[claro que só me apetece chamar nomes a esta mulher. mas isso fica para amanhã.]

quarta-feira, março 11, 2009

um corpo no passeio

dura a noite quanto eu quiser. nem menos um pingo, que está em mim o quebra-luz. mas lá fora não, lá fora amanhece quando eu não quero, escapa-se o sol à vontade, correm as matilhas, agacham-se os cobardes, de pé os que vivem em alta tensão. e ao fim da manhã pouco mais sobra que os corpos estendidos no passeio como gatos afogados e os pequenos remoinhos que se perderam do lastro em vertigem dos que escolheram viver.


Rossio, Fevereiro de 2009



GLUBB De qualquer maneira, amanhã vais enforcar-te na casa de banho.
KRAGLER E tu, estás a encostar-te à parede para que te fuzilem, homem?
GLUBB Pois. A manhã traz consigo muitos cheiros. Mas há sempre alguns que preferem acomodar-se na segurança.


Tambores na Noite, Acto V

terça-feira, março 10, 2009

l'acteur (se) montre


camarim 8


L'acteur doit montrer une chose, et il doit se montrer lui-même. Bien entendu, il montre la chose en se montrant, et il se montre en montrant la chose. Bien que ces deux tâches coïncident, elles ne doivent pas coïncider au point que la différence entre elles disparaisse.

Bertolt Brecht, traduit par Maurice de Gandillac, Rainer Rochlitz et Pierre Rusch.

coisas que vêm sempre a propósito




[porque há dias em que também a mim me apetece dizer, forgive me, Bird, wherever you are...]

mina sobre o douro


passeio alegre, 8 de março de 2009



a cada dia fica a luz diferente. ou os meus olhos. foco desfoco como se as pupilas fossem os manípulos e a própria lente. não olho só para onde me apontam. mas por vezes não creio, custa-me a crer, se é ouro que vejo, se é luz. porque não sei se é ouro que quero. porque este brilho rugoso que se espraia sobre os materiais não tem cotação de mercado. tal é o seu valor.

a frase da noite

A vida é uma doença sexualmente transmissível.




sala 51
hoje de março de 2009

segunda-feira, março 09, 2009

eu tinha perdido o meu boné.


fotografia de João C.


e hoje apareceu. ou melhor, fomos atrás dele. ainda estava tudo virado ao contrário. mas mais uma vez, com olhos claros e todo o amor que cabe no douro, me ajudaste a assentar os tacões sobre a tábua. as minhas viagens seriam tão mais incompletas sem ti.


Juan Muñoz — retrospectiva
Serralves, Museu de Arte Contemporânea
Fevereiro de 2009

domingo, março 08, 2009

aos impossíveis




... then I'll surrender.




[por um lado apetece-me escrever. por outro, tenho a cabeça demasiado cheia e as mãos vazias, ou por vezes o contrário. e todas as probabilidades são impossibilidades. há fases assim. é esperar que passe... e andar em frente, para sentir vontade.]

sábado, março 07, 2009

inocência

Quão estranha pode ser uma vida, quando a palavra "casa" remete tanto para um pedacinho luminoso de Lisboa com 100m2 como para o pé direito do Porto onde cabem seiscentas almas? Quanto amor se pode sentir por "um sítio"?







Hoje não há metropolitano. Hoje não há metropolitano, nem eléctrico, nem comboio urbano, o dia todo. Hoje está tudo de descanso, os comboios estão parados em todas as linhas, e nós, querida, circulamos por aí até ao cair da noite, como pessoas.

Tambores na noite, Acto V

sexta-feira, março 06, 2009

estou um bocadinho viciada... mas não muito. :)

aqui há dias dizia o penim que precisava de inimigos...

... eu acho que não preciso. Mas pronto, que posso eu dizer? Ainda me estou a rir e já saí do Bom Sucesso há duas horas. Que prémios, hã, de cinema? Loucura internacional? Jesus... ou Brama... ou Maomé, é indiferente. A ver: a história tem virtudes, e razões opostas engraçadas. Podia ser giro, mas nada é nada, e a única coisa que temos é a repetição de um esquema que fica deslindado logo ao início. Se temos um pouco mais é graças a Dev Patel, o actor principal, que é magnífico, e já está nas mãos do Shyamalan. É justo. Os putos são lindos. Mas o filme, ó senhores, tende paciência... A primeira meia-hora só desperta a vontade de ir rever o Cidade de Deus, daí para a frente é sempre a descer. O melhor que posso dizer é que Slumdog Millionaire, como telefilme, é um estouro. Só que o Óscar e o Globo de Ouro são prémios de cinema. Isso é que é chato. Pode baralhar o pessoal.


Tanta falta de talento num realizador só, mãezinha, tanto alvoroço por um tremoço... fiquei mesmo divertida no mau sentido. E depois fala-me o L. nesta coisa maravilhosa e eu lá consigo resistir a postá-la, Benny Lava?...





quarta-feira, março 04, 2009

puzzle sem modelo — começou a contagem decresente


camarim 8
hoje de Março de 2009

da nitidez

há momentos em que, olhando a imagem, não consigo perceber se há um elemento a mais ou a menos.

fevereiro já lá vai




Porto, Fevereiro de 2009

terça-feira, março 03, 2009

a frase

I'm me and I want to be me at any cost.



Juan Muñoz — retrospectiva
Serralves, Museu de Arte Contemporânea
24 de Fevereiro de 2009

segunda-feira, março 02, 2009

o pior

— Ora, só quando penso em ti é que me lembro dele.
— Pois, também me acontece. Só me lembro dele quando penso em mim.


[para a Dri, com beijos e saudades]

pode dizer-se que sim...

... que quase bastou. mas levo mais saudade do que trazia. sempre ausente... como o outro.

domingo, março 01, 2009

levar um recado

só para que saibas
vou entregar-te o recado
só para que o não negues
só para que não morra de negação
só para que se mate
uma vez mais
por volição.

vi-te chegar
vi-te fugir
vejo-te a tremer
as pernas bambas
imagino o teu sorriso-escudo
querendo, não sabe
querer,
fazendo, como sabe
fazer,
crescer o seu musgo
vejo o teu medo
as tuas pernas bambas
e não te vou ajudar.

longe vai o tempo em que te arrancaria
a língua
com um beijo se pudesse
agora guardo-os para mim
os beijos.
porque é o melhor que algum dia poderei fazer por nós.

às vezes quase lamento
ter perdido o medo.

o meu estado — questões de sobrevivência [uma fiona nunca vem só]

Túneis de chamas. Ou motins em restaurantes de beira de estrada. A imagem pode mudar de contornos, de estilo, de ambição metafísica. Só que em tragédia ou comédia, uns desembocam nos outros, uns apagam-se nos outros, uns reconstroem-se nos outros. Mas os auscultadores são meus. E o mundo também.




Lennon/McCartney, Across the Universe, por Fiona Apple
video de Paul Thomas Anderson

homecoming gift

Hoje, quando já estava a estacionar perto de casa, e depois de mais uma semana de loucos precedendo outra semana de loucos, a Radar ofereceu-me isto:




Só tenho o domingo. E na segunda vou considerar lucro se chegar inteira ao fim do dia. O espectáculo continua, em grande, em technicolor. Os tambores não tardam a rufar. Estou exausta. E no entanto parece-me que o domingo bastará.

sábado, fevereiro 28, 2009

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

take a peek — variação a partir de spartacus




I will only take a man who is strong enough to want to know all about me.