porque sim.
[para o meu mano Pedro, com um beijo de semi-despedida. é a arma e o alvo, a escolha. ;)]
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
domingo, fevereiro 22, 2009
real people in venice
Foi a última noite. Amanhã despedimo-nos, esperando um reencontro no tabuleiro verde. Voltamos a Berlim, definitivamente, para só partir quando a lua cair no rio.
Venice - Beirut
A nova viagem já cá toca. E eu estou entre o choque e o encantamento electrónico, face a mais uma revelação de que a essência não está na pureza, está na mistura. Hoje durmo em Beirut, com o corpo ainda em Veneza.
Venice - Beirut
A nova viagem já cá toca. E eu estou entre o choque e o encantamento electrónico, face a mais uma revelação de que a essência não está na pureza, está na mistura. Hoje durmo em Beirut, com o corpo ainda em Veneza.
sábado, fevereiro 21, 2009
divergências significantes: a força [find the fish]
Há uma colecção de pacotes de açúcar que sob o lema de "inspira a tua diferença" traz várias combinações de animais simbólicos dos comportamentos humanos. A inevitável ovelha negra no meio das brancas, ou vice-versa, por exemplo. O da avestruz — entre umas poucas com a cabeça no local tradicional, o buraco, uma assente na sua verticalidade e de olhos abertos — costuma ser o meu eleito, mas ultimamente o meu coração balança, por outro que me tem vindo parar à mão com frequência. No meio de um grupo cinza-tubarão, lá vai um peixito aparentemente inofensivo, tranquilo. Não me parece que seja aquele docinho das profundezas que no final de Finding Nemo revelava afinal umas mandíbulas de pit bull. Não, é mesmo, apenas, um peixe. E eu ando mesmo exausta, para começar a encontrar o sentido da vida à volta do sagrado café e cigarro de fim de ensaio. E vá lá, não há nenhum pacote com aranhas.
Q & A - Ursula Rucker
be a risk taker, not a move maker... oh, you bet.
Q & A - Ursula Rucker
be a risk taker, not a move maker... oh, you bet.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
pousar
ainda não. mais uns dias. a tosse resiliente, ameaça do riso, parasita. a noite com palavras bonitas, à falta da possibilidade dos olhos, adiados para um sábado que inesperadamente ganhou dia, ganhou tempo e uma tarde para respirar. para passar umas horas fora das paredes em que as horas param num longo, distentido dia. moro no 2.º esq., ou no camarim 8? mas pousarei. e logo, mais uma mudança — agora percebo que ainda não sei o andar — outra voz a partilhar o espaço, outros olhos, outro eu, outro tu. ainda não houve temporada aqui em que tenha ficado até ao fim do tempo no sítio do início. sempre inesperadamente, sempre ilustrativamente. Porto dos símbolos... a terra de oz sempre ao fundo do corredor, lágrimas e risos, entre lições e ilusões, croissants e finos, dentro e fora. fole. som. assim uma espécie de útero revolto. e sempre essa luz no fundo do corredor.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
ah... bon, han?... [ou Vou ter saudades de estar Placida]
É isso... a identidade. Seria o amor a dar-lhe a primeira folha, mas quantas vezes se escusa e lhe dá antes a primeira pedra. E é nele então que procuramos tocar esse caule, que resiste a quase tudo, mas só floresce em condições muito especiais. A identidade mais profunda. A que pode confiar ao ponto de deixar cair os muros sem medo de salteadores. A que por vezes finta Escher e se mostra a direito por um momento que a seguir se pode jurar não ter passado. Um momento largo que nunca existe realmente. A identidade, pois. Não está no nome. Está no ponto de abrigo de todas as mais belas fragilidades. Et a ça, ça sert, l'amour. Para nos dar coragem para ver. E eu ainda me lembro desse momento. No corpo e na alma.
Body and soul [remake take 3] - Thelonious Monk
Body and soul [remake take 3] - Thelonious Monk
valentim atrasado
Roubei ao meu c'rido MPR, que também o postou apenas quando lhe deu na real gana. Por razões dramatúrgicas, e porque me passeio toda entre Placida e Ferrante e sob os insultos de uma comunidade decrépita que não tem espelhos em casa [familiar, não?...], não podia resistir ao surripianço. Convosco, Billy and Adolf—a love story. Delicioso.

... à quoi ça sert, l'amour?...
... à quoi ça sert, l'amour?...
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
divergências significantes: a arquitectura [agora enquanto eles vão todos lá fora fumar um cigarro...]
Uma pequena meditação. Oiço falar nos pilares do conceito de casamento, que agora parece que são três: monogamia, exogamia, géneros diferentes. E que não se pode retirar um dos três pilares. Ponto. É um tripé, portanto. Mas não são precisas muitas contas para perceber que com dois, qualquer plano se aguenta bem. Mas a plataforma começou, naturalmente, por ser sobre estacas, éramos um bocadinho básicos, enfim, e se recuarmos é um divertido percurso por acumulação pelos pilares sem os quais a família ia desabar: a figura do chefe de família; o divórcio; os filhos já não bastardos; as mulheres com automia cívica, empregos, direito ao voto, lugares de decisão e de saber; casamentos inter-raciais; ui, isto não acaba. Mesmo.
Palafitas. Andávamos em palafitas. Mas o nosso cérebro e as nossas mãos evoluíram, e cada vez eram precisos menos pilares para uma maior estabilidade. Era importante que algumas pessoas deitassem um olho ao que se tem conquistado na arquitectura moderna. Às vezes, um pilar basta. Às vezes, pilar nenhum. É uma questão de inteligência. E, senhores, se querem continuar a chamá-lO de aRquitecto, se de facto tiverem razão há-de ser apreciada a depuração das formas, a procura da essência. Ou não?...
O que falta a esta gente não são óstias, apesar do cristianismo lhes passar ao lado. O que lhes falta, independentemente dos graus académicos, é raciocínio. Filosofia. Ah, e um espelho.
Palafitas. Andávamos em palafitas. Mas o nosso cérebro e as nossas mãos evoluíram, e cada vez eram precisos menos pilares para uma maior estabilidade. Era importante que algumas pessoas deitassem um olho ao que se tem conquistado na arquitectura moderna. Às vezes, um pilar basta. Às vezes, pilar nenhum. É uma questão de inteligência. E, senhores, se querem continuar a chamá-lO de aRquitecto, se de facto tiverem razão há-de ser apreciada a depuração das formas, a procura da essência. Ou não?...
O que falta a esta gente não são óstias, apesar do cristianismo lhes passar ao lado. O que lhes falta, independentemente dos graus académicos, é raciocínio. Filosofia. Ah, e um espelho.
neste momento quero gritá-lo alto e bom som:
Eu amo o Rui Tavares! Do fundo do coração. Espero que o vídeo da intervenção no Prós e Contras a que acabo de assistir esteja na net, tipo, já.
Tornar parente a pessoa que se escolhe tornar parente. Sem o obstáculo do Estado a bem de umas pequenas consciências atoladas, enredemoinhadas nos seus argumentos indigentes. Escolher quem pode falar por si, tomar decisões, estar presente a cada momento. Quase que dou por mim a defender o casamento como instituição, para lá da escolha jurídica que deve assistir a quem paga o Estado, independentemente da orientação. O que me está a espantar é que os argumentos do Não esvaziam o casamento civil de tal modo, mais do que eu, que não tenho dificuldade nenhuma em compreender quem quer casar, nem me rala muito, que chego a pensar que são todos contra o casamento. É extraordinário, o círculo completo da verdade.
Agora o senhor Vaz Pinto acaba de comparar uma relação homossexual ao incesto e à poligamia. Bonito. Uniões, sim, sem adopção [mancas, portanto, alguém devia dizer a estes senhores que os homossexuais também têm sistema reprodutivo], casamento, não. Voltamos à cantiga do vrrnhiec!, enfim.
Estão todos vermelhos. Inquietos. Inseguros. Enervados. Muito muito sérios, estão a segurar os pilares desse edifício extraordinário que só eles vêem de pé. Graças a dEus. Acho que nem eles. Posso dizê-lo, este blog é meu, não tem objectivos. Sabem que mentem. Têm o cuzinho apertado, perdoem o palavreado. Sabem que são, em essência, derrotados. Nem que o código civil se quede imutável por mais cem anos.
Quantos deles viram o Milk no último fim-de-semana?...
Tornar parente a pessoa que se escolhe tornar parente. Sem o obstáculo do Estado a bem de umas pequenas consciências atoladas, enredemoinhadas nos seus argumentos indigentes. Escolher quem pode falar por si, tomar decisões, estar presente a cada momento. Quase que dou por mim a defender o casamento como instituição, para lá da escolha jurídica que deve assistir a quem paga o Estado, independentemente da orientação. O que me está a espantar é que os argumentos do Não esvaziam o casamento civil de tal modo, mais do que eu, que não tenho dificuldade nenhuma em compreender quem quer casar, nem me rala muito, que chego a pensar que são todos contra o casamento. É extraordinário, o círculo completo da verdade.
Agora o senhor Vaz Pinto acaba de comparar uma relação homossexual ao incesto e à poligamia. Bonito. Uniões, sim, sem adopção [mancas, portanto, alguém devia dizer a estes senhores que os homossexuais também têm sistema reprodutivo], casamento, não. Voltamos à cantiga do vrrnhiec!, enfim.
Estão todos vermelhos. Inquietos. Inseguros. Enervados. Muito muito sérios, estão a segurar os pilares desse edifício extraordinário que só eles vêem de pé. Graças a dEus. Acho que nem eles. Posso dizê-lo, este blog é meu, não tem objectivos. Sabem que mentem. Têm o cuzinho apertado, perdoem o palavreado. Sabem que são, em essência, derrotados. Nem que o código civil se quede imutável por mais cem anos.
Quantos deles viram o Milk no último fim-de-semana?...
far from heaven [but close to home]
folga sem descanso. mas em casa. vá. umas compensam as outras. e a gravidade puxa-me para sul. novamente.
[o que é realmente divertido é que ainda não consigo parar de tossir, os meus pulmões ainda lançam murmúrios em muitas inspirações, a narina direita já só canta em tons de vermelho, e daqui a dez horas começo uma manhã de aulas de voz. muito bom. momento para a estratégia frei tomás, façam o que ele diz... e dêem-lhe um mata-bicho.]
[o que é realmente divertido é que ainda não consigo parar de tossir, os meus pulmões ainda lançam murmúrios em muitas inspirações, a narina direita já só canta em tons de vermelho, e daqui a dez horas começo uma manhã de aulas de voz. muito bom. momento para a estratégia frei tomás, façam o que ele diz... e dêem-lhe um mata-bicho.]
domingo, fevereiro 15, 2009
das marionettentheatre [assalto à mão aberta]
Intervention - The Arcade Fire
e ela disse:
há alguma coisa assim tão extraordinária e fascinante no vosso umbigo, além do cotão?
e ele disse:
não. para lá do desassossego, não. nisso não é muito diferente do vosso.
e ela riu-se. e logo de seguida, tossiu. involuntariamente.
[para o L., um beijo com juros indexados à euribor]
sábado, fevereiro 14, 2009
o poder
É sempre ainda recorrentemente o mesmo. É, parece que dá tusa. Pois. Que expulsa o vazio. Sim, sim. Que traz um sentido ao sentido nenhum. Ai é? Mas o que é que não bate certo em mim, então? Se nenhum poder me insufla o peito sobre um pedestal? Ou se o insufla, dele rapidamente me piro, do desconforto do perímetro reduzido, do frio do mármore a penetrar-me os pés. É que eu adoro sentir tusa. No entanto, o poder... É que também eu encho dia-a-dia os meus vazios, mas primeiro olho-os bem, para não os encher de lixo. Mas o poder... É que talvez há muito tenha deixado de buscar sentidos onde não os há, e aí talvez tenha achado um sentido. Aliás... porque se chama sentido, quando aquilo de que quase todos falam quando procuram o peixe, é de uma meta? Uma contradição em termos. Mais uma...
Talvez por isto tudo, e porque o herói leva sempre uma pilinha em cada mão, quando surge a palavra "poder", acabo sempre a pensar, "maneira estranha de dizer os efes..."
Poder - José Mário Branco
Talvez por isto tudo, e porque o herói leva sempre uma pilinha em cada mão, quando surge a palavra "poder", acabo sempre a pensar, "maneira estranha de dizer os efes..."
Poder - José Mário Branco
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
balanço e contas [embora a produção ainda esteja a bombar]
Se o ranho tivesse cotação na bolsa era eu quem salvava o BPN.
Até ao fim da semana, quem se deslocar ao TNSJ ainda vai poder ver como se pode fazer teatro do bom num sanatório. Espera-se que na semana seguinte regresse o elenco do teatro nacional. É clássico: num teatro, pior que os vírus, só as pulgas. Hoje saíu-nos tudo do pêlo. E dos pulmões. E foi uma senhora noite.
[aqui está um espectáculo que eu, cem anos que dure —hope not—, nunca me esquecerei de ter feito]
Até ao fim da semana, quem se deslocar ao TNSJ ainda vai poder ver como se pode fazer teatro do bom num sanatório. Espera-se que na semana seguinte regresse o elenco do teatro nacional. É clássico: num teatro, pior que os vírus, só as pulgas. Hoje saíu-nos tudo do pêlo. E dos pulmões. E foi uma senhora noite.
[aqui está um espectáculo que eu, cem anos que dure —hope not—, nunca me esquecerei de ter feito]
a propósito de Deleuze.
também eu sei bem o que é isso de ser apanhado nos sonhos dos outros. sei-o na pele.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
double or nothing
Os primeiros dias da semana são sempre particulares, não necessariamente maus, mas mais propensos a acidentes, chamêmo-lhes assim. Basta um dia de pausa, e a coisa parece que desafina ligeiramente, exige toda a nossa atenção, expulsa, por ameaçadora, qualquer mecanização. Por isso mesmo não são necessariamente maus. Hoje foi um exemplo disso.
Já entrámos na fase esquizóide de "um dia, duas peças", vá lá, é tudo alemão e há, realmente, uma matéria qualquer, um cheiro, que é comum. O cansaço, que ainda não está instalado, já sopra com o som daquele vento que só há poucas horas se aquietou finalmente. A Lili em viagens-relâmpago a Lisboa [know the feeling...], outros com carradas de texto para amanhar durante a tarde, outros ainda, espanto dos espantos, têm vidas para além da porta, filhos, pais, gatos, amigos, e começam a sentir que longe de chegarem para tudo, não chegam para nada. Uma plateia cheia de canalhada, o que é porta aberta para o sucesso total ou a lavajice total. Um espectáculo completamente exposto, onde qualquer imprevisto tem de ser integrado e acarinhado [bem o sentimos na primeira noite de Viseu, há uns meses...]. Uma moeda indisciplinada que salta de um bolso para a plateia e exige reacção na ponta da unha — e reacção bonita, nos tempos, nas decisões, na maneira como foi parte da récita.
E eu, com os ouvidos tapados e voz de [aham, perdoem-me, estou no Porto] cona, lancei-me num seja o que Baal quiser, vamos lá despachar isto. A voz forçou-se a subir ligeiramente, defendeu-se, mas só até sentir plenamente o centro. Aí já se deu a alguns luxos, consciente da fronteira do abismo. O riso, jesus, o riso era o pesadelo, sempre a acordar os impulsos da tosse funda, a fazer comichão por dentro. Também eu estava ligeiramente desafinada. E isso obrigou-me a nunca entregar o jogo. Mas a cena é um mistério, realmente. Porque tirando pequenos abismos claros, pequenas emergências que obrigaram ao recurso à cartilha-base, cada passo para entrar no tabuleiro de jogo fazia desaparecer o pingo no nariz, o cansaço físico, o desequilíbrio de eustáquio. A técnica são os paramédicos. Pede-se que venha depressa e desapareça ainda mais depressa.
Diz-me o meu querido Motinha, à volta de um cachorro, que achou que este espectáculo foi especial para mim. Que foi particularmente bom. Que a juke box final foi provavelmente a melhor que eu já fiz. A juke box. Em que eu nem pausas me permitia enquanto não percebi no sangue o que ali estava. O caminho que ela já andou. Hoje eu sei que foi especial. E sei porquê. E ainda me dói. I'm playing double or nothing. Wouldn't do it any other way. E aos meus pés o meu duplo deixou hoje uma dama de ouros.
Já entrámos na fase esquizóide de "um dia, duas peças", vá lá, é tudo alemão e há, realmente, uma matéria qualquer, um cheiro, que é comum. O cansaço, que ainda não está instalado, já sopra com o som daquele vento que só há poucas horas se aquietou finalmente. A Lili em viagens-relâmpago a Lisboa [know the feeling...], outros com carradas de texto para amanhar durante a tarde, outros ainda, espanto dos espantos, têm vidas para além da porta, filhos, pais, gatos, amigos, e começam a sentir que longe de chegarem para tudo, não chegam para nada. Uma plateia cheia de canalhada, o que é porta aberta para o sucesso total ou a lavajice total. Um espectáculo completamente exposto, onde qualquer imprevisto tem de ser integrado e acarinhado [bem o sentimos na primeira noite de Viseu, há uns meses...]. Uma moeda indisciplinada que salta de um bolso para a plateia e exige reacção na ponta da unha — e reacção bonita, nos tempos, nas decisões, na maneira como foi parte da récita.
E eu, com os ouvidos tapados e voz de [aham, perdoem-me, estou no Porto] cona, lancei-me num seja o que Baal quiser, vamos lá despachar isto. A voz forçou-se a subir ligeiramente, defendeu-se, mas só até sentir plenamente o centro. Aí já se deu a alguns luxos, consciente da fronteira do abismo. O riso, jesus, o riso era o pesadelo, sempre a acordar os impulsos da tosse funda, a fazer comichão por dentro. Também eu estava ligeiramente desafinada. E isso obrigou-me a nunca entregar o jogo. Mas a cena é um mistério, realmente. Porque tirando pequenos abismos claros, pequenas emergências que obrigaram ao recurso à cartilha-base, cada passo para entrar no tabuleiro de jogo fazia desaparecer o pingo no nariz, o cansaço físico, o desequilíbrio de eustáquio. A técnica são os paramédicos. Pede-se que venha depressa e desapareça ainda mais depressa.
Diz-me o meu querido Motinha, à volta de um cachorro, que achou que este espectáculo foi especial para mim. Que foi particularmente bom. Que a juke box final foi provavelmente a melhor que eu já fiz. A juke box. Em que eu nem pausas me permitia enquanto não percebi no sangue o que ali estava. O caminho que ela já andou. Hoje eu sei que foi especial. E sei porquê. E ainda me dói. I'm playing double or nothing. Wouldn't do it any other way. E aos meus pés o meu duplo deixou hoje uma dama de ouros.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
much much much
Foi aqui que o ouvi pela primeira vez. Tinseltown Rebellion. Ainda hei-de descobrir esse cd, já que a cassete de crómio já era — produção oficialmente descontinuada no dia do meu trigésimo primeiro aniversário. Oh yeah, she was a fine girl.
[são mesmo posts de molho, estes, jejeje...]
é mesmo para estes dias que estes testes servem...
Grau de tripeirice, avaliado AQUI. E que espanto, a minha tripeirice agarra-se-me à pele. Já tive, durante meses, vista para o Batalha, se eu sei o que quer dizer "vai no Batalha", olá se sei. Esta cidade já me viu de todas as formas feitios, com repas, sem repas, com espinhas e sem elas, e não é por qualquer fino que dou por mim ourada, sobretudo se tiver acabado de comer umas iscas na Filha da Mãe Preta — ou a sagrada francesinha no Santiago. Entre molétes para a boca e pisaduras na carne, eu e o Porto estamos agarrados por um pequenino, subtil, escondido loquete. Murcão e teimoso como o cinza do chão, como o cinza do ar, como esta chuva que não desiste. Como eu, que aqui resisto.

Foz, 7 de Fevereiro de 2009
Tripeiro nato
Você é uma mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-la com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros à volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovada com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser a rainha da noite de S. João.

Foz, 7 de Fevereiro de 2009
Tripeiro nato
Você é uma mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-la com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros à volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovada com distinção neste teste de Portualidade já pode ir contando com um convite para ser a rainha da noite de S. João.
hand me back the key
... weather forecast for today: more rain. E eu estou doente [finalmente, quem é que eu penso que sou, a escapar-me assim por entre ventos e (de)graus negativos como se nada fosse?]. E hoje há um eclipse lunar. E claro, na lua cheia, chovem os sinais. Mais, à quoi ça sert...?
milk [curiosamente muito parecido com mlk]
Não é este o filme, mas é este o homem. E o homem e a história são estrondosos, absolutamente. Não é o fim, o assassínio, que os valida. A sensação ao fim de muitas gargalhadas, muito pensamento, muitas lágrimas, muita vibração [caraças, é tão bom ser remexida assim por um filme luminoso sem um pingo de proselitismo!], a impressão final é a de que o filme existiria plenamente sem a morte, tão vivo e válido sem ela como com ela, apenas com um fim diverso. E não são muitas as coisas que dispensam o fantasma da morte para viver em pleno a sua beleza. Acabei de escrever uma parvoíce. Não há vida que não o tenha, não há humanidade que não o traga em si, mesmo que não o traga em primeiro plano. Adiante. Onde está o peixe?
Milk é um filme cheio de luz, porque recebendo as sombras se recusa a colocá-las na gaveta, espeta-as simplesmente na porta do frigorífico, corta-lhes o poder pela raiz. Porque sai das mãos de um realizador-autor-artífice de alto calibre, é uma maravilhosa obra de cinema. Porque tem um elenco fabuloso. Porque tem Sean Penn. E há muito tempo que não me emocionava tanto com um actor. Mesmo.
domingo, fevereiro 08, 2009
flash
Estava a responder ao comentário da Carolina e pensava se a minha resposta seria de fácil leitura ou se a Carolina lá chegaria antes por exclusão de partes. Sou a Placida, dizia-lhe, e simultaneamente ressoou-me como esta Placida é a personalidade com o nome mais escondido — reconhecê-lo-á a Carolina, que o escutou apenas uma vez em toda a peça [embora já no final e tão bem dito...]? Em Goldoni nunca se ouve, Placida é "a peregrina", só quem lê o texto lhe conhece a identidade porque é assim que está escrita a distribuição das personagens na página de guarda, é assim que estão identificadas as suas deixas no texto. Mas é "a peregrina" que o público ouve. Nem ela se apresenta, nem as outras personagens a questionam. Estratégia clássica: é uma viajante, não ter nome adensa-lhe o mistério. Nem o marido finalmente recuperado o pronuncia.
Mas aqui, em Fassbinder, tocam-se outras fronteiras. Aqui também não se apresenta. Aliás, quando é oficialmente apresentada ao grupo, é sob a máscara da identidade falsa — ou seja, a pouco católica peregrina de Fassbinder tem um nome, que não é o seu. Ou será? E ao contrário da peregrina de Goldoni, que faz um percurso solitário, aquela que vem premir o gatilho, ou antes, apontar o cano à cabeça do croupier para que ele redistribua o jogo, faz alianças e influencia tudo o que já estava antes de ela ali ser. "Uma senhora", "a minha mulher", "a sua mulher", "aquela mulher" que é como "um demónio". Mas o reconhecimento vem, a identidade finalmente restituída pelos lábios procurados, pela substância perdida e recuperada. Por aquele cujo nome só a sua boca pronunciava.
Placida, minha querida, podes perdoar-me?
Mas aqui, em Fassbinder, tocam-se outras fronteiras. Aqui também não se apresenta. Aliás, quando é oficialmente apresentada ao grupo, é sob a máscara da identidade falsa — ou seja, a pouco católica peregrina de Fassbinder tem um nome, que não é o seu. Ou será? E ao contrário da peregrina de Goldoni, que faz um percurso solitário, aquela que vem premir o gatilho, ou antes, apontar o cano à cabeça do croupier para que ele redistribua o jogo, faz alianças e influencia tudo o que já estava antes de ela ali ser. "Uma senhora", "a minha mulher", "a sua mulher", "aquela mulher" que é como "um demónio". Mas o reconhecimento vem, a identidade finalmente restituída pelos lábios procurados, pela substância perdida e recuperada. Por aquele cujo nome só a sua boca pronunciava.
Placida, minha querida, podes perdoar-me?
sábado, fevereiro 07, 2009
rock salvation
Esta é definitivamente a eleita: a próxima boca que me disser que não se consegue dançar rock puro e duro, leva com esta nas orelhas. Entre as lufadas que foram a Peaches e os Blur, foram os Stripes que me salvaram a noite na pista. Power, do bom. Como o nosso umas horas antes. Porque, bem, foi uma estreia a partir. É especial, este espectáculo. Talvez por nunca ter estreado, é imune a tudo, menos à nossa tusa. Mas é contagioso como uma doença venérea.
[é a Fassbinder que me reporto, não há maneira de, nas palavras, fugir muito à venalidade; aliás, já há quem diga que este é "um espectáculo absolutamente genital"]
[é a Fassbinder que me reporto, não há maneira de, nas palavras, fugir muito à venalidade; aliás, já há quem diga que este é "um espectáculo absolutamente genital"]
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
never resist a goodie
O Sinnerman é a nossa música, sê-lo-á por um mês, e só nós sabemos o lastro que nos dá. E esta cena dessa preciosidade que é The Thomas Crown Affair, é um verdadeiro docinho.
italiana tirada à alemã
Finalmente uma carreira que nos vai permitir sentir a cafeína nas veias durante mais do que um rápido trago. Até dia 22, pronto, que dizer, no sítio do costume.Toda a merda, como sempre, é bem-vinda. Estejam à vontade.
O Café
de Rainer Werner Fassbinder
tradução Claudia J. Fischer direcção Nuno M Cardoso com a colaboração de Ricardo Pais música VortexSoundTech desenho de luz Rui Simão preparação vocal e elocução João Henriques interpretação Fernando Moreira, Joana Manuel, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Lígia Roque, Marta Freitas, Paulo Freixinho, Pedro Almendra, Pedro Frias e Tatsumaki (música ao vivo)
6 a 22 de Fevereiro, no Teatro Nacional São João

Não é Milão, belo conde, é Turim. Turim, e não Milão.
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