terça-feira, setembro 09, 2008

ecos — endless repeat



... as moscas vão rodando.


Quinta da Atalaia, 8 de Setembro de 2008

ecos — à luz do dia


Quinta da Atalaia, 8 de Setembro de 2008


a luz do dia - Alda J. Moura

ecos


Quinta da Atalaia, 7 de Setembro de 2008


... a eterna dúvida.

coisas que me fazem sorrir — ecos

A noite não tem fim e ali ficamos sem saber o que fazer com ela. E quando de repente damos por nós, a noite já não chega. Termina abruptamente e tu foges e eu fico fugindo, dizendo-te adeus como se quisesse que não fosses. E tu ficas. E eu fujo.


Te Juro - Camané

segunda-feira, setembro 08, 2008

coisas que me fazem chorar — ecos

Lembra-Te Sempre De Mim - Camané


Este arranjo mata-me. E este homem está em absoluto estado de graça. Tem a voz toda dentro do corpo, o coração grande a bombear memórias e dores e amores e esperanças. A bombear a falha, a perda, o ganho. Grande e grave e pousado e inquieto. A bombear beleza.


... se o dia não tem sentido, que a noite não tenha fim.

domingo, setembro 07, 2008

coito interrompido 2.0

Não posso chamar outra coisa a esta sensação, já algo familiar, de ir à Atalaia no sábado e não ir no domingo. Além de que Xutos e Big Band a encerrar... ui. Só os anfetaminados é que se vão aguentar à Carvalhesa final.

coito interrompido

É estar em transe com o fadista sentado numa penumbra azul, seguir o caminho da sua frase e suspender com ele a respiração no zénite, deixar o silêncio cair naquela vertigem da cadência que se anuncia, já estar esquecida de mim e de tudo e de repente afinal a tenda está cheia de gente que quer mostrar-se do fado, que quer ruidosamente manifestar-se, e chovem as palmas e os trinados de "ah, fadista!", e o fadista sobe um pouco os olhos para o trio, retém o ar para manter a frágil bolha em seu redor, em nosso redor, os que, desesperados, sussurram um clamor por silêncio, e aguenta, sustém, mais um pouco, eles vão perceber, eles não percebem, nem perceberam que aplaudiam um fado interrompido, a bolha foi-se, puf, o fadista ergue-se, sorri em desalento para nós desalentados e o trio ataca o fado seguinte. Bem andadinho, para fugir ao desgosto.

Este está a ser o ano de Camané. E foi um concerto para não mais esquecer, mesmo tendo visto fugir, impotente, um daqueles momentos raros em que o coração se dá ao luxo de parar um pouco para melhor sentir o respirar de um Artista.

sábado, setembro 06, 2008

a malha da noite

I like the free fresh wind in my hair, life without care, I'm broke, that's oke!...




... é pois, achavam que ia sair uma treta poética qualquer, não era? Não, é "malha" do jargão do d'jéze [jazz, em amaricano] mesmo...

o estrangeiro

Gosto de assassinos que choram. Os que vertem uma lágrima no golpe de misericórdia. Os que matam por amor, os que sofrem por matar, mas quem mata por amor não se arrepende. Os que não se arrependem. E ao limpar a lágrima dizem, duvido que tenhas sofrido mais do que eu.


Faz-me sorrir. Dá-me vontade de lhes passar a mão pelo rosto, em silêncio... pobres crianças, que na sua fantasia, na sua alucinação de Poder, julgam ver sem vida aquilo que nunca poderiam ter poder para matar. Aquilo que só morre por vontade própria. 


E dizia Shakespeare, pela boca de um velho, a um homem poderoso: —... meu doce menino. 

sexta-feira, setembro 05, 2008

sempre aos altos e baixos — plano de fim-de-semana

Figueira, Figueira da Foz, das finas areias, berço de sereias procurando abriiiigo no Centro de Artes e Espectáculos Pedro Santana Lopeeeeeees....
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Quinta da Atalaia, avante para o mosh à carvalhesa...
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Porto, mas tentando fugir aos kamikazes da Red Bull.


Doo wap doo wap doo wap doo wap doo wap doo wap doo wap doo wap.

teste 2 — elogio da boémia

Este é bem giro, sobretudo porque estou agradada com o resultado. A primeira tentativa disse-me que o meu cérebro tinha 24 tenros aninhos, a segunda já deu 20. Parece que ainda tenho crédito de má vida, devo ter nascido com superavit de neurónios. E além disso, fico contente por ter a experiência aliada à frescura mental. Não quero dar por mim, em nenhuma altura da vida, a dizer aquelas coisas tipo, "se eu soubesse o que sei hoje... tinha vivido."


A idade do teu cérebro

Este jogo japonês vai mostrar-lhe se o seu cérebro é mais jovem ou mais velho que o resto do seu corpo.
Instruções:

1. Tecle "start"
2. Aguarde pelo 3, 2, 1.
3. Memorize a posição dos números e clique nos círculos, sempre do menor para o maior número.
Nota: Comece com o ZERO se ele estiver presente.
4. No final do jogo, o computador vai dizer a idade do seu cérebro.

teste 1

Pois... era bom era. Em Yosemite Park é que eu estava bem, com um alazão e uma harmónica. Oh give me land, lot's of land under starry skies above, don't fence me in...

Which famous photographer are you?

Ansel Adams: Known for large scale silver gelatin landscapes especially of Yosemite National Park

"Sometimes I do get to places just when God's ready to have somebody click the shutter."

Personality Test Results

Click Here to Take This Quiz
Brought to you by YouThink.com quizzes and personality tests.



Uma fase, como qualquer outra. No inverno é capaz de dar o Cartier-Bresson, no carnaval o Warhol, na primavera a Cindy Sherman, and so on...

quinta-feira, setembro 04, 2008

brass revival

E quase dez anos depois, é-me dada a oportunidade de voltar a ter uma noite de swing e gozo à frente de uma big band. Amanhã, com os Lisbon Swingers, vou recuar umas décadas tentando não andar para trás, e curtir The man I love, April in Paris, The lady is a tramp [na primeira pessoa, com certeza] e o meu eterno sonho de aspirante a crooner, I'm beginning to see the light. Sob a direcção do excelentíssimo trombonista Klaus Nymark, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, lá pelas dez da noite. Com muita pena minha, a minha querida Polegar só lá chega a horas se for a voar, certo, gaja? Fica para próxima, quem sabe daqui a quanto tempo...

Im Beginning To See The Light - Ella Fitzgerald & Count Basie


Quem se vir na zona do Mondego sem programa para sexta a noite, come, let's mix where Rockefellers walk with sticks or "umberellas" in their mitts... puttin' on the Ritz.

o exemplo



Já tivemos um ministro a dizer que Portugal era um bom sítio para investir porque os salários eram baixos [os chineses que se cuidem], agora o PR traz-nos à ribalta como exemplo a admirar, a Biedronka, uma cadeia de supermercados detida na totalidade pela Jerónimo Martins, que orgulho, um grupo português que só no primeiro semestre deste ano atingiu os 1.618.8 milhões de euros em vendas, foooogo, que número é este?, nem o consigo dizer.


Mas consigo dizer doze horas de trabalho diário sem remuneração das horas extraordinárias. Consigo dizer contratos em que se escreve que as funcionárias "têm de ingerir 1000 calorias por dia a fim de poderem carregar os pesos". Consigo dizer aborto espontâneo. Consigo dizer morte no local de trabalho por falta de condições, de segurança e de respeito pela dignidade e os direitos dos trabalhadores. Consigo dizer coerção, coacção, medo, pressão psicológica.


Consigo dizer isto tudo. Mas nem todos os empregados da Biedronka o conseguem. O desemprego é alto na Polónia e é preciso comer.


Para Cavaco Silva esta empresa é um exemplo. Para mim, e isto aplica-se necessariamente ao máximo representante institucional do meu país, esta empresa é uma vergonha. Para não dizer um crime.


A confirmar:
AQUI
AQUI
AQUI
e
AQUI


Não resisto a citar a pessoa que me enviou esta informação por e-mail, porque diz tudo o que tenho vontade de dizer:

"Recebi isto por email, isto diz-te respeito.
Dá vontade de não meter mais os pés num Pingo Doce,
a questão é que começas por aqui, percorres todos os outros,
e acabas sem ter para onde ir,
a ver onde vais inventar a compras que necessitas lá para casa...
ah, não percebes porque peguei nisto agora,
nada de novo, acontece todos os dias,
não é caso único, queres novidades,
isto é sempre uma velha história.
Não percebes porque te envio isto agora, e só agora...
eu também não."

Dziękuję, Ricardo.

coisas que me fazem balançar

Yardbird Suite - Charlie Parker


Charlie "Yardbird" Parker, Yardbird Suite

quarta-feira, setembro 03, 2008

CSIndicador

É que ainda por cima não vai compensar, como me disse logo o Filipe. Ainda se fosse o indicador direito, tinha uma temporada de crimes perfeitos pela frente, assim com a impressão digital alterada para sempre. Agora este... é mesmo uma inutilidade [suspiro]. Auch...

mais deprimente que o céu de chumbo, a Division e o Murphy e a Galás juntos, só mesmo a televisão...

Depois de termos a Floricoisa a chamar mãe a uma árvore, agora temos a Sónia Araújo a chamar mãe à câmara. Avançamos assim para o direito de parentalidade de objectos inanimados. Eu diria que há aqui um padrão de comportamento algo preocupante. Mas vá, enquanto não se lembrarem de pôr alguém a chamar mãe a uma lésbica, está salvaguardada a moral... A minha dúvida é só uma: as lobotomias serão todas feitas na mesma clínica?

na ponta dos dedos

A falta que faz um indicador capaz. Mesmo o esquerdo, sobretudo o esquerdo, mão cega, mão lenta, mão trapalhona. O indicador é o dedo mais esperto, a mão parece agora ainda mais burra. De repente o médio toma conta de tudo, quero escrever um "c" escrevo um "x", não tarda estou a mandar jokax e props pó pipole. O segundo andamento da Pastoral torna-se uma tortura chinesa para o terceiro dedo da mão esquerda [ou seja, uma semana de quase descanso para a vizinhança]. Arrumar papelada, cozinhar, é a coisa mais insidiosamente irritantezinha possível, e conduzir é uma anedota e parece que estou constantemente a insultar o condutor da frente. E a qualquer distracção, para além do latejar recorrente em redor dos cinco pontos, uma dor funda e bruta, com sabor a metal. É na ponta dos dedos que se concentra muita da carne mais tenra, da pele mais fina, terminal de sensações, porta de entrada, descodificador do toque. Cá está, não se pode ter essa sensibilidade sem que isso signifique a possibilidade da dor mais extrema.

Bem disse o meu mestre, até se podia guisar a alcatra, mas a asae não ia achar um bom indicador.

hoje gostava de ser imune...

...a este céu de chumbo. Não arrefece, venta. Não escurece, esconde-se. Faz sentir a luz que nunca por vontade própria se consegue alcançar, a luz que reflecte no espelho as nossas esperas. Quando nos toca a orelha, há já eras sem fim que é tarde para a agarrar.

Tenho resistido a pôr os Joy Division a tocar, mas não sei se aguento muito mais. Há dias em que gostava de ser imune à luz.

hold your ground

Ghost Train - Rickie Lee Jones


You wanna get to heaven, take the devil by the hand, and you slide right into the promised land, 'cause this could be the night and this could be the gate. Everybody's waitin' for you darlin', so don't be late. What's a matter honey ? Didn't you pay your money for the ghost train ?...

the men we love




Para o Paulo, com um grande beijo de parabéns, neste início de ano especial, em que estamos todos, na verdade, à espera da gal we'll love. :)

terça-feira, setembro 02, 2008

amarelo 2.0


Cordoama, Agosto de 2008

amarelo


Cordoama, Agosto de 2008

súmula [september song]

Is That All There Is - Peggy Lee

... and then I fell in love, head over heels in love, with the most wonderful boy in the world. We would take long walks by the river or just sit for hours gazing into each other's eyes. We were so very much in love. Then one day I went away and I thought I'd die, but I didn't, and when I didn't I said to myself, "is that all there is to love?"

Is that all there is, is that all there is? If that's all there is my friends, then let's keep dancing...



E talvez só por isso nunca me venha a ser possível estar pronta para essa desilusão final. Porque o é, eu, como esta deliciosa Peggy Lee, não tenho grandes dúvidas disso. Uma passagem como qualquer outra. Um momento. E só. Faz sentido. O marinheiro que se deu ao trabalho de alongar a linha da vida nem sequer acreditava na sina, mas lê-se-lhe no traço dos olhos que também não fazia assim tanta questão de ficar. Seria o mesmo que ir, afinal, is that all there is? E ficando, sempre pode manter um gato por perto. Um belíssimo tira-teimas, digo eu.


Hugo Pratt, Fábula de Veneza [sirat al bunduqyyiah]


Até hoje ainda não houve notícia da sua morte. O seu sábio dEus soube morrer primeiro.

domingo, agosto 31, 2008

cabidela

Ok, simbolizar simbolizar. Setembro começa com um corte. Pode não ser mau. Começa comigo a tentar não sujar a camisola branca enquanto com a mão direita, a única livre, procuro gaze, compressas, bétadine, nada, ah, percebo, devia ter um estojo de primeiros socorros e agora não tenho propriamente tempo para ir tratar disso. O Filipe, a quem peço ajuda na escada, também se apercebe com isto de que tem de ir às compras amanhã. O lavatório, o chão, a caixa dos medicamentos, tudo pinga e escorre vermelho vivo, vermelho meu. A minha casa é um filme gore e os gatos olham o meu estado de semi-pânico, entre o riso, o auto-insulto e o desmaio, enquanto enrolo um turco em redor do dedo a ver se pelo menos estanco a torrente. Sinto-me branca, isto não vai correr bem, pressiona pressiona respira, pensa nas piadas parvas de criança, sai-te a tripa grossa por aí, que a fina não cabe, goza, andar para o posto médico faz-me bem, o vento acorda-me, o movimento impede o torpor, se tivesse como fazia figas para que o posto esteja aberto, o Filipe ri-se, o posto está fechado, deita o ar fora, ele não te falta, é só uma pequena crise de ansiedade, um e dois e... passou. Carro, São José, pontos, então? depois de duas anestesias já não é dor, SÓ SE FOR NO SEU DICIONÁRIO, CARAGO!!!


Ufa... Simbolizar, simbolizar. Comi cabidela ao almoço. E Setembro começa com um corte, profundo, na diagonal, de várias camadas, de muito vermelho. Pode não ser mau. Mas só penso em Wilde e em como o entendo e como nestas alturas o que menos me preocupa é o cérebro sem fundo que o mais do tempo me dá tanto trabalho. Livrai-me, senhor, das dores físicas, que das espirituais trato eu.

caminho de luz




No fundo, são os actores. A indizível Fernanda Montenegro, a maravilhosa Marília Pêra, este puto genuíno e tocante que se chama Vinicius de Oliveira. Porque quando estamos distraídos, Central do Brasil nem se afasta muito, em linguagem, dos ramos do Cinema Novo que no Brasil têm continuado a crescer. E assim seguimos, em velocidade de cruzeiro como o autocarro ou o "caminhão", quando de repente vem um plano que entontece de tanta beleza, de tanta mestria, entrando em arco pelo Pedegrulho adentro em plena classe marginal do Rio de Janeiro, ou embriagando de luz a paisagem desolada que os viajantes atravessam, ou entregando de raspão um olhar, uma emoção que quase se pode palpar de tão subtil, um riso, uma lágrima, um grito. A luz, aliás, fala, e só me lembro de me emocionar tanto com a luz de um filme com Um dia de cão, do Sidney Lumet, primo na rudeza, na clareza granulada do dia, no mistério belo e terrífico do anoitecer, na simbiose com os lugares e a arquitectura, com as personagens, falando com elas, ajudando-as a falar. Belo e terrífico. Como a viagem da infância.

coisas que me fazem chorar