sábado, julho 31, 2010

but long it could not be till that her garments, heavy with their drink, pulled the poor wretch from her melodious lay to muddy death.


John Everett Millais, "Ophelia" (Elizabeth Siddal)
Tate Gallery


Gower Street, 1852
Lizzie entrou na minha vida muito cedo, sem que eu a conhecesse pelo nome. Era Ofélia e, nos meus dezasseis anos, já eu amava a quantidade de poder que se disfarça numa morte erotizada. Parti pela mão dela para o texto, o que fez com que nunca usufruísse inteiramente de
Hamlet. Fiquei sempre na margem do ribeiro e o fim não me deixava começar. O tempo da tragédia convergia com velocidade para aquela imagem e então parava, como a suicida. Lizzie Siddal flutua numa tela e Ofélia é sustentada à superfície sem que as águas deslizem, sem que o resto do que acontece ao afogado ocorra.

Hélia Correia, Adoecer, Relógio d'Água



ganhei um codinome: Beija-Flor.



vindo de uma cidade onde vi um beija-flor (pela primeira vez ao vivo) a fazer uma dança só para mim, de vários minutos. e eu, parva, de máquina na mão e sem reacção. e eu, miúda, de boca aberta e coração iluminado. e eu em Sampa, também em Sampa, em casa. e quanto aos beija-flor, aprendi uma coisa: num dia da tua vida nunca os viste, no outro estão por todo o lado.

quarta-feira, julho 28, 2010

Carandirú.



às três.

às três são onze. são três mas no corpo... as pernas cá, o coração ainda lá, corra embora o sangue deste lado do charco. ainda canto, ainda exalo mamão e abacaxi com hortelã, ainda sinto a garoa. pan américas de áfricas utópicas túmulo do samba mas possível novo quilombo de zumbi, até logo, até mais. escuita, nóis vorta, nóis vai vortá.



terça-feira, julho 27, 2010

ocê travessou contra-mão.

de lembrança guardo somente suas meias, o seu sapato. Iracema... eu perdi o seu retrato.

Estação da Luz: Sampa (cidade minha), dia 1




Museu da Língua Portuguesa


sabes que a língua é tua quando tudo nela te faz chorar de erro e acerto. menas é mais. e nós vai sambar.


(se há sítios especiais feitos no mundo pela mão humana, ESTE é sem dúvida um deles.*)

starting over Blue!

segunda-feira, julho 05, 2010

hoje, às 18h, todos ao Maria Matos.


O anunciado corte de 10% dos apoios do Ministério da Cultura já contratualizados com todos os agentes culturais decorre da cativação de 20% no orçamento do MC. No entanto, o orçamento do MC tem vindo a ser reduzido de forma drástica nos últimos anos e é um dos mais baixos da Europa. Apesar disso, o trabalho dos agentes culturais tem um impacto positivo crescente na economia portuguesa. Os agentes culturais têm criado cada vez mais riqueza, o que torna as estruturas e trabalhadores da cultura num exemplo de solidariedade com as dificuldades económicas do país e de sucesso no esforço de crescimento com que Portugal é hoje confrontado. Neste sentido, os cortes anunciados são profundamente injustos.
A Senhora Ministra Gabriela Canavilhas considera os cortes anunciados “uma redução de uma pequena parte das verbas”. Trata-se, é certo, de uma parcela residual no esforço global que é exigido a todo o país. No entanto, dada a precariedade do meio cultural e artístico, tal como a ausência de protecção social dos trabalhadores desta área, qualquer redução das já parcas verbas atribuídas aos agentes culturais tem um impacto tremendo e fará entrar em recessão uma actividade que está em crescimento. Ou seja, cortar pouco dinheiro numa actividade que já tem muito pouco, tem efeitos mais graves do que cortes iguais em actividades onde os apoios são muito mais significativos. Neste sentido, os cortes anunciados são desproporcionais e desiguais. São também ineficazes, uma vez que causam estragos irreversíveis no tecido cultural e artístico. Diversos projectos serão cancelados sem grandes benefícios no combate ao défice, uma vez que, como a própria titular da pasta assume, são “pequenas” as verbas resgatadas. É, assim, em nosso entender uma medida incorrecta que não defende nem o esforço de redução da despesa pública, nem a população portuguesa nem os agentes culturais.
O corte de 10% de todos os apoios estatais aos agentes culturais de todas as áreas é anunciado pela Senhora Ministra da Cultura como a “única forma” de assumir compromissos anteriores e novos financiamentos para 2010. No entanto, a tutela esquece-se de mencionar a total ausência de informação por parte da Direcção Geral das Artes em relação aos apoios anuais e pontuais já atribuídos e por atribuir. Estes cortes são anunciados num momento em que os atrasos nos concursos e a total ausência de comunicação por parte do MC, tinha já lançado o tecido artístico e cultural num impasse impossível de suportar.
Ainda que se entenda que, num conjunto de medidas de restrição orçamental em todos os sectores, o Governo não queira criar nenhuma situação de excepção que pudesse descredibilizar perante a opinião pública o conjunto dessas medidas, também nos parece inaceitável que os cortes no financiamento se transformem, no caso da produção cultural, em medidas de penalização de um sector que contribui generosamente para uma valorização do país contando apenas com verbas de apoio Estatal extremamente reduzidas. E muito menos aceitável que as medidas possam ter carácter retroactivo, obrigando os produtores culturais a pagar ao Estado verbas que já gastaram e que acreditaram que lhes tinham sido atribuídas, destinadas a viabilizar projectos de utilidade pública. Tais medidas retroactivas viriam a pôr em causa a própria boa fé do Governo aquando da atribuição dos apoios, como se afinal não julgasse essas verbas necessárias.
Também é difícil de aceitar que o próprio Ministério da Cultura desconheça os mecanismos de produção e não entenda como em tantos casos (os mais organizados), baseados nas anunciadas e tantas vezes já contratadas atribuições de apoios, será impossível voltar atrás na programação prevista e cancelar compromissos já assumidos com terceiros.
Dado que no orçamento geral do Estado as verbas destinadas à Cultura pesam afinal tão pouco e que os produtores culturais tanta generosidade têm demonstrado trabalhando com verbas tão escassas para a valorização cultural do país, (e uma breve comparação com os custos de produção de outros países europeus imediatamente o confirmaria), julgamos que seria indispensável uma mais profunda revisão das medidas de restrição anunciadas pela Senhora Ministra da Cultura.


PLATAFORMA DO TEATRO

Ar de Filmes
Artistas Unidos
Barba Azul
Casa Conveniente
Chão de Oliva
Joana Teatro
Mala Voadora
Mundo Perfeito
O Bando
Primeiros Sintomas
Qatrel
Teatro da Comuna
Teatro da Cornucópia
Teatro da Garagem
Teatro da Rainha
Teatro do Vestido
Teatro dos Aloés
Útero

sexta-feira, julho 02, 2010

estes sábado e domingo, às 21h, no CCB.



porque apesar de tudo o amor ainda tem lugar neste mundo.
quase tanto como o poder. com f.







Criação TEATRO PRAGA (ANDRÉ E. TEODÓSIO | CLÁUDIA JARDIM | JOSÉ MARIA VIEIRA MENDES | PATRÍCIA DA SILVA | PEDRO PENIM)
Direcção musical MARCOS MAGALHÃES
Iluminação DANIEL WORM D’ASSUMPÇÃO
Som RICARDO GUERREIRO
Realização vídeo ANDRÉ GODINHO
Cenários BÁRBARA FALCÃO FERNANDES
Maquilhagem JORGE BRAGADA
Produção BRUNO COELHO, CRISTINA CORREIA, SARA MAURÍCIO
Assistência JOSÉ NUNES

Com ANDRÉ E. TEODÓSIO | CLÁUDIA JARDIM | DIOGO BENTO | JOANA BARRIOS | JOANA MANUEL | MIGUEL VEIGA | PATRÍCIA DA SILVA | RODOLFO TEIXEIRA
Solistas ANA QUINTANS | JOÃO SEBASTIÃO | NUNO DIAS | ROSSANO GHIRA Coro GRUPO VOCAL OLISIPO
Artistas convidados ANA PÉREZ-QUIROGA | CATARINA CAMPINO | JAVIER NÚÑEZ GASCO | JOÃO PEDRO VALE | LEO RAMOS | ROGÉRIO NUNO COSTA | THE END OF IRONY (DIOGO LOPES, IVO SILVA, MIGUEL CUNHA, RICARDO TEIXEIRA E RITA MORAIS) | VASCO ARAÚJO | VICENTE TRINDADE
Equipa de filmagem CLÁUDIA MORAIS | FRANCISCO MOREIRA | JOÃO MARTINS | LEONOR NOIVO | NUNO MORÃO | TIAGO OLIVEIRA