quarta-feira, abril 28, 2010

segunda-feira, abril 26, 2010

reflexões no vinte seis.

já no Rossio se dispersava, ainda a cauda do desfile ia no Marquês. os grupos são cada vez mais, as lutas acompanham-se lado a lado. como me dizia a Susana, o 25 da avenida tornou-se um verdadeiro espaço de liberdade. e se a secção da imigração para mim ficou ex-aequo com as Panteras Rosa ("não me papas!" é quase tão bom como "ilegal é a tua tia"; menção honrosa para o rolo compressor do PEC posto a girar pelo BE por cima da canalhada em curtição total), o prémio twilight zone vai para um estranho bloco. quando fizemos escala nos Restauradores, chamou-nos a atenção um grupo que, sem palavras de ordem, vinha em compacto aplauso. à frente, ao centro, dois ou três cravos na mão e sem bater palmas, vinha o rosto sereno e seráfico atrás de quem todos altivamente caminhavam e aplaudiam: Fernando Nobre.


gostei quando foi anunciada a candidatura. e tenho, naturalmente, as minhas simpatias por um homem com obra feita e que, assumidamente monárquico, tem dado o seu apoio às forças políticas com que contingentemente concorda, desde o PSD ao Bloco, passando pela candidatura do Mário Soares. mas sempre achei, e cada vez acho mais, que o diabo se esconde nos pormenores. ontem já decidi em quem não vou votar. com o Cavaco, aí vão dois.



o puto arco-íris VS o rolo compressor (aka PEC) — o combate do século
Lisboa, 25 de Abril de 2010

ilegal é a tua tia, pá!




tinham o melhor slogan da tarde —este, sem o "pá", por respeito ou por falta de hábito. mas foi neste friso, antes de começarem a descer, que me olharam um por um. como que hiperconscientes do momento de visibilidade, ainda que numa pequena leica compacta, distavam do mundo apenas por um cabo. hipersensíveis pelo invulgar dessa exposição, tranquila, pausada, a luz do sol a bater nos rostos. um por um, perceberam que filmava e quiseram entrar. agora ao rever, percebo que deveria ter levado o dobro do tempo a percorrê-los, pousado o triplo do tempo naquele último rosto. a timidez impediu-me de lhes fazer justiça.

domingo, abril 25, 2010

como se falar fosse andar.

Fala a sério e fala no gozo
Fá-la pela calada e fala claro
Fala deveras saboroso
Fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
Falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala francês fala béu-béu
Fala fininho e fala grosso
Desentulha a garganta levanta o pescoço
Fala como se falar fosse andar
Fala com elegância - muito e devagar.



Alexandre O'Neil

sábado, abril 24, 2010

life on the ocean wave



as marchas de marinheiros são sempre as mais arejadas. reconhecem-na?




"I'm wearing pajamas as I only get inspiration at 10:00pm", diz ele. Está certo, o E depois do adeus foi lançado ao ar cinquenta e cinco minutos depois das dez.





desde miúda é som de dia de sol e de sorrisos abertos.
estou feliz por a minha cultura ser esta, apesar de todos os galos na cabeça, apesar das angústias esgrimidas dia-a-dia. estou feliz por todos os cravos vermelhos na minha vida e por não me lembrar de não saber de cor a marcha do MFA. estou feliz por, apesar de tudo, a inscrição deste dia ser tão forte em nós, porque o é. e apesar dos pides reabilitados, há só um nome que me apetece dizer neste dia que se aproxima: Fernando José Salgueiro Maia.

vêmo-nos na Avenida? :*

sexta-feira, abril 23, 2010

big kids growing up.*




blissful. that's the middle name of big art. all hail Thurston's guitar.

segunda-feira, abril 19, 2010

sábado, abril 17, 2010

dentro da esfera.




Bill Viola, He Weeps For You
Video and sound installation, 1976
Bill Viola et Thierry Kuntzel — deux eternités proches
Le Frenoys, Abril de 2010



One of the foundations of ancient philosophy is the concept of the correspondence between the microcosm and the macrocosm, or the belief that everything on the right order, or scale, of existence reflects and is contained in the manifestation and operation of the lower orders. This has been expressed in religious thought as the symbolic correspondence of the divine (the heavens) and the mundane (the earth), and also finds representation in the theories of contemporary physics that describe how each particule of matter in space contains information about the state of the entire universe.

The ensemble of elements in
He Weeps For You evokes a 'turned space', where not only is everything locked into a single rhythmical cadence, but a dynamic interactive system is created where all elements (the water drop, the video image, the sound, the viewer, and the room) function together in a reflexive and unified way as a larger instrument.

The traditional philosophy of the microcosm/macrocosm has been profoundly expressed in the Islamic mystical tradition of Sufism. The Persian poet Jallaludin Rumi (1207-1273) developed these concepts with subtle variation in the course of his life's work. In the Masnavi he wrote:

With every moment a world is born and dies,

And know that for you, with every moment come death and renewal.

Notes by Bill Viola, 1976

inverno dormindo.


Hiver (La Mort de Robert Walser)
Thierry Kuntzel, instalação vídeo, cor e preto e branco, 1990
Bill Viola et Thierry Kuntzel — deux eternités proches
Abril de 2010, Le Frenoys

quinta-feira, abril 15, 2010

da informação.

A notícia oficial ficou por AQUI: a 25 de Fevereiro de 2010, Jardim confirma 41 mortos na Madeira.

No mesmo dia 25, este post era publicado AQUI, mas eu não posso deixar de transcrever a sms que o origina:


Pessoal é tudo mentira, o nº de mortos já passa dos 80. Ontem foi 1 pessoa identificar o corpo do seu familiar e ele tinha o nº 81. Ontem a noite a grua do trapiche voltou a ceder e matou mais 4 pessoas e claro continua sempre nos 42 mortos, supostamente já deveriam ter 46. No oudinot apareceram 7 mortos vistos com os proprios olhos das pessoas. Não acreditem em nada. Os politicos nao kerem dizer o nº verdadeiro de falecidos mas a verdade é k ja estao kuase nos 100.
Por favor passem a mensagem parafazer com k as pessoas sejam informadas de tudo e nao lhes escondam nada. Não é justo.



Hoje um amigo madeirense de regresso de uma breve visita familiar recente, traz-me uma história contada na segunda pessoa. Nos dias negros de Fevereiro uma madeirense fez em sete horas um percurso de 15 minutos. As estradas todas cortadas, bombeiros, polícia, equipas de socorro. De desvio em desvio, de paragem em paragem, de bloqueio em bloqueio, assegura que os corpos que viu arrastados ou ainda por arrastar, eram às dezenas. Se não atingiam os quarenta, rondavam. Só os que ela viu. Só nesse dia.


Consternada pela narração, meti-me nas pesquisas. E além do linque acima, encontrei OUTRO, que pergunta onde está o conteúdo DESTE.

— Revista Sábado. Error. Page not found. A página que solicitou foi mudada ou retirada do site. Pedimos desculpas pelo inconveniente. —

Os noventa (?) mortos da Madeira foram levados da imprensa por uma enxurrada tão ou mais perigosa que a original. Isto não é um inconveniente. Isto é muito grave. Isto é muito perigoso. Isto não é uma democracia. Isto não se passa do outro lado do mundo. São portugueses levados pela irresponsabilidade política de todo um governo regional que pavimenta ribeiras com cimento. Se mais este crime, o da censura e da manipulação descarada da informação, é real, então existe gente silenciada. É urgente que se cheguem à frente, que falem.

É urgente que nós perguntemos já e bem alto: quantos são os mortos da Madeira? quem nos mentiu? quem sabia que nos mentiam?


... isto não é brincadeira nenhuma.




adenda:
seguimos as pesquisas. e até 25 de Feveiro as notícias falam dos quarenta e da confusão que parece haver com os números. a partir daí parece que o assunto se some no ar. miraculosamente, como a recuperação do Funchal que, dizem-me, parece já uma cidade onde nada se passou.

divulguem. investiguem. perguntem. digam alguma coisa aqui, no facebook, no café, no trabalho, em casa. pelos mortos, mas sobretudo pelos vivos. por vocês. por nós.

domingo, abril 11, 2010

ponto.


Bill Viola, He Weeps for You
(video and sound instalation, 1976)
Frenoys, Abril de 2010

tamborim.




Bill Viola, He Weeps for You
(video and sound instalation, 1976)
Frenoys, Abril de 2010



In a large, darkened space, a copper pipe runs down from the ceiling, terminating in a small valve from which a single drop of water is slowly emerging. A color video camera, fitted with a special lens and a bellows attachment used for extreme close-up magnification, is focused in on this drop. The camera is connected to a video projector that displays the swelling drop of water on a large screen in the rear of the space. The optical properties of the water drop cause it to act like a fish-eye lens, revealing an image of the room and those within it. The drop grows in size gradually, swelling in surface tension, untill it fills the screen. Suddenly it falls out of the picture and a loud resonant "boom" is heard as it lands on an amplified drum. Then, in an endless cycle of repetition, a new drop begins to emerge and again fill the screen.

Catalogue Bill Viola, The Museum of Modern Art, New York, 1988, p.29

quarta-feira, abril 07, 2010

reflect reflex revue

sono solto e o ar é meu. a confiança. o olho rasgado e o sorriso.
o peito.
o amor.
sono solto.
cheio de sonhos. como na vida.


(eu não sou ela
e ele não és tu.)






Mistral, place du Châtelet
abr 2010

à luz exterior


Luna, place de Clichy
Abr 2010



tanto que se reflecte. diagnóstico feito, mas... e o INEM para isto?


nota de não-demissão: eu tenciono continuar a fazer a minha parte. o pior não pode estar para vir, isto só pode melhorar.

terça-feira, abril 06, 2010

domingo, abril 04, 2010

do indizível.

Isto é inominável, mas não por respeito e temor. Isto é inominável vindo da igreja que se calou, que se cala sempre. Vindo da igreja que queimou bruxas, que atirou bebés cristãos-novos contra as paredes, que perseguiu judeus e que vendeu e vende indulgências, que se aliou aos fascismos, que se alimentou de poder, de repressão e de morte.

Isto é tudo o que Cristo não pregou.

Estes homens deviam ter vergonha na Terra, já que face ao cÉu que apregoam aparentemente não têm nenhuma.

sexta-feira, abril 02, 2010